Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Sklar

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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
‎"Não há mesmo por que banir a subjetividade da escrita, já que a terceira pessoa e sua pretensão à neutralidade e à acuidade não são, em si, garantia de absolutamente nada."
Paulo Roberto Pires, para a Folha de São Paulo





Se vocês pudessem me ver agora...

Pois é, veriam uma cena absolutamente patética: uma mulher de 57 anos bêbada, com os longos cabelos grisalhos recém-tosados num chanel mais comportado, chorando compulsivamente debaixo de seu chuveiro recém-conquistado — nas tardes ensolarado e com uma vista linda para as montanhas sagradas — porque recebeu hoje, na data exata, imaginem, um presente acidental em seu esforçado quinto aniversário de redenção, isto é, de casamento, de vislumbrar finalmente um passo breve que fosse além do obrigatório inferno em que vivia naquele ano zero, a mãe doente, dolorosamente demente, a família hostil, a solidão premente e o apaixonado namorado inesperado online, surgindo do nada sobre o conectado teclado, uma ilusão amorosa provavelmente impossível e relutante do outro lado — ops, do Atlântico, não...

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