Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Sklar

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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
‎"Não há mesmo por que banir a subjetividade da escrita, já que a terceira pessoa e sua pretensão à neutralidade e à acuidade não são, em si, garantia de absolutamente nada."
Paulo Roberto Pires, para a Folha de São Paulo





A lenta agonia de um agapê e outras memórias do futuro

Quando no final, chegou o dia em que eu estava indo embora, aprendi o estranho aprendizado de que coisas podem acontecer que nós mesmos nunca teríamos possivelmente imaginado, nem antes, nem enquanto aconteciam, nem mais tarde quando as recordávamos.
Karen Blixen in Out of Africa, 1937


Pois é, gente, voltei, como sempre faço quando ameaço férias, mas desta vez não sei por quanto tempo, nem a bem da verdade sei, por exemplo, se chegarei ao fim arrastado desta crônica de domingo antes que meu velho HP (sem mãos nem olhos nem ouvidos e agora também) sem coração desfaleça, vocês entendem, consegui prolongar-lhe a vida (por um fio) arrancando-lhe a pilha Made in China e o condenando, pelo breve tempo que lhe resta, à eletricidade mecânica, nada messiânica: ao remodiado orifício na parede. Mas por enquanto vai indo, vamos, como tudo o mais: lenta e confusamente. (tem gente que sofre com gatos doentes, por que não sofreria eu com o triste fim de meu companheiro mais premente?)

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