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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"A verdadeira sorte dos autores é que não há fracasso que não vire uma grande história. O que não aconteceu na vida pode virar arte." Fabrício Carpinejar para a Revista da Cultura





Cem dias em 72

Papa Bento e o cajado de Moisés:
foto Ali Jarekji para Reuters

"E, no septuagésimo terceiro dia, eu vou descansar, prometeu, ironizando os que acusam de ser messiânico", li no Blog de Lúcia Guimarães (faltou o "o", Lu, ou fica parecendo que Obama é quem acusa, tudo bem, é só blog), onde ela explica que um hilário B.O., em seu discurso de estréia na Associação de Correspondentes da Casa Branca que, por tradição, deve ser cômico, "prometeu completar os próximos 100 dias em 72", assim, duas vezes na mesma frase, promessa pouca é bobagem.
Eu poderia, é claro, ter visto ao vivo o discurso de Obama como sempre fiz, ter visto o pappanazi beixar o chão da Terra Santa (ui: "pappanazi" é pesado, vamos combinar, perdão, leitores, que é cristão perdoar, mas "beixar", tendo sido na verdade um lapso de teclado, resolvi deixar: poderia ter sido Joyce em Finnegans Wake e estaríamos combinados) e o Talibã tomar de assalto o Paquistão, ou seria, caso Deus existisse, o contrário desta quase-rima, de acordo com a Lei do Talião?
Pois é. Eu poderia também ter ficado quieta, começar meia hora mais cedo o expediente de arquiteta que é o que tem me ocupado tanto, mas tanto, quem nem deixa brecha pra noticiário, discurso ou breviário, ah, tudo bem, com a breve exceção dos curtos e despretensiosos passeios relaxados (meia hora antes de tentar adormecer) pelas páginas intrincadas de Finnegans Wake que Joyce levou, imaginem, 17 anos pra escrever, nada desses trocadilhos malpagos e meio apressados de Noga Bloga, pelo telufano a caminho da obra (de Joyce: tellafun, ui, que essa coisa pega, mas que é gostosa a mais não poder, é, eu, pelo menos, gosto, imaginem agora a espantosa interpretação futurista: telafone).

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