Noga se lê Nora
Eclesiástico 26:18

LGA pergunta:
Noga:
Você sabe quem foi Nora Barnacle? Bloom é o alter-ego de Joyce? Qual foi a real influência de Nora Barnacle na escrita/estilo/densidade/lirismo/e quase tudo literário de Joyce? O que aconteceu em 16 de junho, na vida de Joyce?
Respondo:
Ai, mamãe, outro professor na minha vida, já não basta viver com um (risos), vamo lá: Nora Barnacle foi a mulher de Joyce, com quem este trocou cartas fogosas que nunca li. Mas gostaria. Bloom? Li ontem que o alter-ego de Joyce é Stephen Dedalus, pelo menos no "Retrato do artista quando jovem". Por outro lado, já respondendo outra pergunta, no dia 16 de junho de 2004, ops, 1904, Joyce conheceu Nora Barnacle com quem veio a se casar. Em Ulisses, Stephen é jovem demais (esse cara não cresce não?) para ser Joyce, hum. Por outro lado, não há como fugir da impressão de que todos os pensamentos que Bloom pensa têm que ser os pensamentos de Joyce, mas hum, Joyce que eu saiba não era judeu. Aguardo ansiosa a sua resposta*. Pra ser sincera ainda não sei qual foi a real influência de Nora na arte de Joyce. A gente sempre tende a pensar que mulher nunca apita nada, bem, com a rara exceção daqui de casa onde é a mulher que apita, ops, escreve. Falar nisso, depois que você me responder, me dá permissão pra publicar este interessantíssimo diálogo?
"... ela deslizou a mão para dentro das calças dele sem que ele pedisse, agarrou na mão dela o aparato sexual dele e muito lentamente, sem dúvida prazerosamente, o masturbou até o orgasmo, sem desviar dos dele seus olhos calmos, de quase-santa (do livro "James Joyce - retrato do artista", do jornalista irlandês Stan Gebler Davies). A história real foi escrita por Joyce em uma de suas cartas, e foi isso que J.J. celebrou em seu livro incrível. E é isso que vem sendo celebrado há vários anos pelo estranho conjunto de acadêmicos, literatos e produtores de literatura que organiza o Bloomsday. Em uma palavra: celebram uma punheta. E o mesmo termo pode ser aplicado à maioria das atividades que acontecerão amanhã", afirma Paddy McGuiness, não o crasso comediante inglês, mas um respeitável editor australiano conservador, a respeito do pouco lido — e menos ainda entendido — Ulisses, na véspera do centenário do "dia de Bloom" em 2004. É Luiz Gonzaga, mais uma vez, quem envia a dica.
De: Luiz Gonzaga Alvarenga
Para: Noga Lubicz Sklar
Enviado: sábado, 19 de janeiro, 2008 10:06
Assunto: Nora Barnacle (ou: para entender Joyce)
Ok, vamos lá:
Nora foi a primeira e única mulher na vida de Joyce. Também era literata (palavra estranha! faltou dizer: a seu modo. suas cartas a Joyce se perderam ou foram destruídas) e sua influência sobre Joyce não pode ser minimizada. Bloom, quando pensa em Molly (por exemplo, o trecho que você gostou), é Joyce pensando/falando de Nora. Nora sofreu o diabo nas mãos de Joyce, mas ele a imortalizou em Molly. E sendo você Noga, fale mais de Nora. Ela merece.
(pode reproduzir, autorizo).
LGA
O que pode Noga dizer de Nora? Li algumas cartas picantes de Joyce para Nora, mas como o Luiz Gonzaga avisou, nenhuma de Nora para Joyce. Fica a coisa então restrita ao campo onírico da especulação, ops, sem o duplo sentido que tanto agradaria a Joyce, o homem que escreveu: "...te derrubo por baixo de mim sobre este ventre macio que é o teu te fodo por trás, como um porco monta uma porca, glorificado pelo suor que emana do teu cu fedido", hum.
Que homenagem melhor de Noga para Nora que a prova cabal de graça amorosa numa mulher que não é casta, nem santa, nem silenciosa? Segue, semi-xará (escrito para o meu Alan em dezembro de 2004):
"Enfiei o dedo na cona pra sentir a forma, a umidade... e me espantei ao descobrir lá dentro uma coisa viva, um bicho com uma boca sugadora — quase como um peixe —, engolindo o meu dedo como se fosse ar. Passei o dedo médio pela vulva, até o botãozinho rosa do lado esquerdo: meu interruptor clitoriano de gozo. Comecei devagar a acariciá-lo, com os olhos bem abertos fixados nos olhos dele — o pau dele se levanta — enquanto ele observa, curtindo o meu ato dividindo meu prazer, meu dedo se movendo do clítoris à cona (aquela boca sugando) depois de volta, esfregando mais forte e mais rápido até o limiar do orgasmo, gritando o nome dele." — do Hierosgamos.
* LGA não respondeu... deixou a pergunta no ar pra que a própria tomasse a forma de sua própria resposta... agem assim os grandes mestres? Deixam ao estudante a tarefa de pensar, discutir, concluir? Seria Joyce Stephen... e Bloom? A hipótese se confirma nas Notas de Cliff
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