Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Sklar

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Hoje não quero chorarNoga Bloga
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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
‎"Não há mesmo por que banir a subjetividade da escrita, já que a terceira pessoa e sua pretensão à neutralidade e à acuidade não são, em si, garantia de absolutamente nada."
Paulo Roberto Pires, para a Folha de São Paulo





Ainda dá tempo

Blog Day 2007
Acabei de saber: hoje é Blogday

"31 de Agosto é o Dia do Blog, ou BlogDay, data escolhida pela semelhança entre 3108 e a palavra blog. Como o Natal, não passa de uma data comercial que certamente surgiu de um linkbait como qualquer outro.

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Um real

Essa mania de bancar a engraçadinha só me causa problema, gente. Sério. Ou vocês pensavam que era só aqui no blog? Não. É um vício. Um transtorno. Uma praga. Um modo de viver a vida que não vale a pena, garanto. Já me valeu muita inimizade, muito tiro pela culatra, pra não falar do meu péssimo hábito de resolver os problemas de todo mundo. Eu falo demais.

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Moçarela

Vida de blogueira não é nada fácil. Outro dia eu citei o "El País" aqui no blog e uma amiga se espantou — pra não dizer capitulou, deixou-se cativar pela vasta multiplicidade de fontes que consulto e cito: "Quantos jornais você lê por dia?" Gente. Não vou mentir. Eu só leio o Globo, dou uma olhada rápida no NY Times, e no mais, aposto na sorte, na intuição, num google rápido em busca da origem das coisas... e claro, na opinião dos outros sobre o que decido escrever: é a tal fonte de terceira mão, deve ser por isso que não tenho emprego na "grande mídia".

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O escritor, esse deliqüente

"A verdade é que poucos artistas foram admiráveis como pessoas. No fundo são matadores, que fariam qualquer coisa por seu trabalho", afirma Morris Dickstein, professor de Literatura Inglesa no Graduate Center da Universidade Municipal de Nova York.

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O mau leitor

Amós Oz em foto de ?
Em se tratando de amor à arte a melhor coisa é ser capaz de transcender, de ignorar completamente, por trás da obra, o seu autor. O que hoje em dia, com a bisbilhotice estraçalhadora da mídia, acaba sendo impossível. A gente pode, e quer saber: tudo e mais um pouco sobre esta figura mágica, imponente, infalível e afortunada, que é no fundo no fundo, igualzinha a nós, sim. Atire a primeira pedra o escritor estreante que nunca sonhou ter a sorte de uma J. K. Rowling. Penso nisso com freqüência.

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O preto que "branqueou" o Brasil

Duda Mendonça está morando aqui no prédio. Bem. Pelo menos foi o que imaginei depois de ter visto, por meses a fio, a correspondência endereçada a ele na portaria. Perguntar, não perguntei, vocês sabem: não pega nada bem ser tão curiosa, investigar, esclarecer uma dúvida, se meter desse jeito na vida alheia, em coisa que não nos diz respeito.

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Síndrome de Gutenberg

Ray Bradbury aos 87, em sua casa de Los Angeles - Foto New York Times

"A literatura está ultrapassada", afirma com um meio sorriso troglodita, ou melhor, com um sorriso meio troglodita, ou ainda, com um meio sorriso de troglodita o jovem estudante do Pedro II, em matéria de capa do Megazine desta terça-feira.

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Um blog que (quase) ninguém lê

"Let's not, and say we did", repete o Alan. Tem sido este, ultimamente, o mantra preferido dele, que enjoou de vez de sair de casa. E segundo ele mesmo conta, o do pai dele antes dele, e antes disso o do avô, e por aí vai. Ou diz que foi. Algo que, com meu parco talento de tradutora, não consigo importar pro português de jeito nenhum.

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O demônio na prateleira

"Sou um romântico do século 19", afirma Alberto Renault, vocês sabem, aquele que eu conheci no metrô. Considerado pela mídia um genial multimídia, conta na Revista do Globo que se considera um artista, e gosta mesmo é da criação, de ter idéias. Agora, não é o Alberto quem diz, nem Cristo, nem Lennon, nem outro famoso nenhum acima do certo e do errado, embora seja uma verdade universal: só a arte salva.

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Fora do ar

Queridos, o Noga Bloga está fora do ar até amanhã. Motivos:

FUGINDO DA DEPRESSÃO DA CHATEAÇÃO DA CONFUSÃO GRIPADA COM DOR DE CABEÇA SOBRECARREGADA SONHANDO EM ME MUDAR EM RESOLVER EM RENOVAR EM PROTEGER A MÃE EM VENCER EM VENDER EM SALVAR A HERANÇA SEM DISCUTIR PROBLEMAS NA FAMÍLIA EM ME LIVRAR DO MEDO DO PESO DA TRISTEZA DA RAIVA DA FRUSTRAÇÃO DO DESEJO DO QUE NÃO POSSO DO QUE NÃO DEVO DO QUE NÃO QUERO DA CRÍTICA DO ELOGIO DO VAZIO DOS ANÚNCIOS DOS POP-UPS DOS CONTADORES DE VISITAS DAS VISITAS DA VISTA DOS REPRESSORES DO INCÔMODO DO TRAUMA DO FRIO DO CALOR DO NEBULIZADOR DO MARIDO DO SEXO DA EMOÇÃO DA DISTORÇÃO DA COMPLICAÇÃO DA COMPILAÇÃO DO ADSENSE DO ADWORDS DA FALTA DE ASSUNTO DA FALTA DE TEMPO DO TEMPO DO RUMO DO ROSTO DO IRMÃO DO FUTURO DO PASSADO DA SOLUÇÃO DA DECISÃO

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Língua pá(t)ria

Tem nova categoria de autor na praça, é, gente, sem querer pegar carona em um certo vocábulo que ascendeu faz pouco ao OGT — Olimpo do Glossário Televisivo —, e pra variar, sem apreço nenhum pelo idioma, nossa pobre, maltratada e traumatizada língua pátria. Pra quem acha que eu sempre sei do que estou falando, um aviso com interface amigável: sou muito dividida.

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Em nome do pai

A memória de meu pai começa e termina naquele homem forte e onipresente, que sabe tudo, tem resposta pra tudo: um sujeito atraente, inteligente, decidido, acolhedor. Não houve tempo suficiente pra que eu o visse emergir de seu mito de herói, transformar-se num ser humano comum, emotivo, hesitante e falível como qualquer um. Deve ser por isso. Sim. Deve ser por isso a carência que sinto, meu incômodo extremo com a falta atual de valores firmes, honestos, íntegros, uma versão moderna do senso comum — simples, claro e indiscutível — que permeava a família quando eu era pequena.

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Um efeito nefasto

A gente xinga a máquina, maldiz, mas às vezes a surpresa é boa, vejam só: acabei de encontrar o rascunho do post perdido de ontem, arquivado no blog errado. Vale a pena conferir, apesar do assunto repetido... o texto tem sua graça, e é melhor que o que se seguiu:

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Uma questão de rótulo

O post já ia longe quando de repente, não mais que de repente, o incontrolável painel deslizante embaixo do teclado — em outras palavras, o sensível demais pro meu gosto 'touch-pad', que no notebook substitui o mouse — me enfiou na cara a ampulheta metida, com seu barulhinho típico de hard disk enrolado (coisas de memória limitada), ai, gente, de novo? Pra variar, o backup falhou... e tudo se apagou num segundo, fala sério: quase desisti. Afinal de contas estou aqui de roupão, com gripe, indisposta e infeliz. Quem é que consegue trabalhar assim?

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O que é importante nesta vida?

Sabe aqueles dias em que você não quer nem comer, pra quê isso, se vai pôr tudo pra fora mesmo? Não quer arrumar a cama porque vai se deitar de novo, não quer ler o jornal que só tem notícia velha, não quer se aporrinhar e nem transar, porque afinal de contas, você se excita, goza, sente aquele tchan, mas no fundo no fundo é tudo uma mesmice que não dá em nada?

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O amor desconcerta


Mas na verdade é simples, pensa bem. Nem precisa de discurso, e até passa melhor sem um.

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Autopromoção


Quando eu era garota escova progressiva não existia, claro, mas a questão dos cabelos lisos, sim. A gente praticava um tipo diferente de tortura, a assim chamada "touca": enrolava os cabelos ainda molhados em volta da cabeça, prendia com pinças e pressionava com uma meia de náilon (ahn?), deixava metade do dia, depois virava de lado e deixava o resto do tempo. O resultado era satisfatório mas demorado à beça, e sempre ficava uma ou outra marca de pinça. Mesmo assim, ninguém saía de casa sem ela, e lavar cabelo era complicado, um ritual complexo e freqüentemente adiado. Ainda tinha o problema do clima: se estava muito úmido o cabelo escorria; se muito seco o cabelo encolhia. Eu era insegura pra caramba, e não me aceitava de jeito nenhum.

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O paraíso aqui ao lado

"É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha que um rico entrar no reino dos céus."
Joshua ben Joseph

Em tempos de crise é uma atitude normal: apelar para o apoio espiritual. E com Karen Bishop, arauta dos Novos Tempos, não poderia ser diferente. Um alerta de energia, quando a economia global resvala morro abaixo, não podia deixar de rolar. Sempre à frente dos acontecimentos, Karen & Phil abriram mão de sua propriedade duplamente hipotecada e se instalaram, desde o mês passado, num chalé alugado da cidade vizinha, sem aquecimento nem nada e ainda por cima, com o telhado furado. Preciso ser justa com ela: bem antes das coisas se precipitarem, Karen já vinha considerando a possibilidade de emigrar, intenção hoje reiterada, numa tentativa concreta de escapar ao desastre.

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Feitiço sem Áquila. E sem feitiço.

Lá vou eu de novo meter a mão em cumbuca e falar do que não entendo. Bem. Não entendo em parte. O que não se discute é meu apreço literário por terreno emocional minado. Tem gente que é um deprimido simples, daqueles que sofre até um determinado ponto, atinge o limite e pronto. Se mata na forca, no tiro, na overdose. Eu não. Mantenho esta obsessão por me matar com palavras — no mínimo uma vez por semana —, e o que é pior: espirro os restos no leitor. Quem vem sempre aqui vai ver que gosta. Ou então vejamos por outro lado: quando vejo o perigo à frente, tomo como missão botar a boca na mundo. O caso de hoje não sei qual é, e quem decide é você.

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Terror em Silent Hill

"A acompanhante, imagine, dopava o casal de idosos e saía pra namorar, deixando os dois em casa sozinhos. Numa dessas, exagerou na dose... e a senhora morreu durante a noite", é o que me conta C., a simpática, doce criatura responsável por mamãe nos últimos três anos. Acabei de demiti-la, com a desculpa bastante real da contenção de despesas, mas cá entre nós, nunca engoli esta mulher. Venho trabalhando no assunto há quase seis meses, procurando uma alternativa viável ao esquema dela e tentando convencer a família da urgência em substituí-la. Me entendam bem: mamãe é assistida 24 horas por dia por duas cuidadoras zelosas, nas quais depositamos toda a confiança do mundo (espero que merecida). A ex-funcionária em questão exercia a função de "coordenadora da equipe" — ? e mais: ???? —, e o processo de demissão em si levou 2 semanas, durante as quais fui forçada a escutar de C. os mais escabrosos casos de maus-tratos a idosos, tudo numa tentativa patética de me provar, por a+b, a absoluta necessidade da presença dela para a segurança e bem-estar de mamãe.

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Desde já nada

Embora eu ache meio ridículo — e até duvide seriamente de que a CIA tenha realmente, em seu quadro de funcionários, especialistas em remote viewing —, acabei sucumbindo no fim de semana, por pura necessidade de diversão, ao filme de Sandra Bullock "Premonição", e ainda por cima assisti a todos os extras, fala sério: quem é que não gostaria de um dom deste tipo na vida real?

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Privacidade, ilusão e verdade na internet

Pra quem lê inglês e adora ser anônimo:
Not being there (no New York Times)

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Filosofices

"Quando uma pessoa delira, é insanidade; quando muitos deliram, é religião."
Robert Pirsig

Eu sempre guardei na memória a impressão de que o famoso livro de Robert Pirsig, "Zen e a arte de manutenção de motocicletas", tinha mudado a minha vida, uma dessas leituras marcantes, inesquecíveis, mas pra falar a verdade... já tinha me esquecido porquê. Pois hoje, lendo a frase aí em cima na matéria de capa do Prosa sobre o último Richard Dawkins — "Deus, um delírio" —, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, me lembrei imediatamente do motivo. O Bob é lúcido à beça.

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Juízo de gosto

Meu ex-marido MG, arquiteto premiado pelo IAB, tinha um tremendo bom gosto. Dono de um traço maravilhoso, preferia desenhar gordas, mas mesmo me achando gorda demais nunca quis me desenhar. Eu tinha este projeto, vocês sabem, um livro de poemas ilustrado por ele, que jamais topou nenhum projeto em comum. Aliás, nunca quis compartilhar nada, que dirá um mero livro de poemas inéditos, e ainda por cima, provavelmente autopublicado.

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Queimando os neurônios

É, gente. Espero que vocês gostem dos improvements sutis que andei fazendo aqui no blog. Faço com gosto. É tudo pra vocês se sentirem melhor aqui na casa.
E quando eu disse que faço, é porque faço mesmo, isto é, eu mesma faço, não tem nada de webdesigner de oito mil reais por aqui não. Pesquiso, roubo um script daqui e dali (o blog da Carla é um dos meus preferidos) e boto mesmo fogo nos neurônios, bem, só pode fazer bem, pelo menos afasta o alzheimer, não?

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Primeiro Capítulo de Noga & Alan

Novidade aí do lado: primeiro capítulo do Hierosgamos para download, com capa e tudo, uma gentileza da Giz. Aproveitem.

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Jung é culpado sim

"Mas fundo na mente, eu sei. Sou eu que te amo mais, e Freud tem tudo a ver com isso. Com o sexo, digo, com o pacote que mandei, meu amor, com carne e tudo. E olhos e pêlos pubianos, calcinhas usadas, it will be soon."

Hierosgamos (1x), de Noga Lubicz Sklar


Taí. Não tenho o menor saco pra livro policial, mas com uma resenha animadora dessas, dá até vontade de arriscar este "A interpretação do assassinato", eu nem sabia que o Xexéo lia, pensei que só via televisão. O que prova o pouco que se sabe da vida dos colunistas que a gente tanto admira (ops*), e que o apoio logístico à venda de um romance pode vir de qualquer lugar: fale de mim o quê e quem quiser falar, mas por favor, falem. Vejam. Comprem.

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