Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Sklar

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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
‎"Não há mesmo por que banir a subjetividade da escrita, já que a terceira pessoa e sua pretensão à neutralidade e à acuidade não são, em si, garantia de absolutamente nada."
Paulo Roberto Pires, para a Folha de São Paulo





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Extra! Extra! Tem um serial killer assassinando as vacas do Cow Parade, sério, gente. Eu, pelo menos, já vi pelo menos duas com o sangue escorrendo da cabeça e empoçado no chão, e é coisa bem-feita, não se trata de qualquer vandalismo gratuito não. Parece (e garanto que é) obra de artista, mais significativa e bem mais impactante que a vaca em si.
Por sua própria natureza de invasão do espaço público essas vaquinhas de fibra têm, a seu modo, estimulado pequenos crimes urbanos, todos, até agora, resultando em pura aporrinhação dos produtores obrigados a consertá-las: um dia foi o panelão de alumínio roubado, logo substituído por outro fixo ao local por uma massa esverdeada de concreto; no outro, ou em muitos outros, parte das roupas ou acessórios de "moda", afanados só pra aborrecer, porque francamente, ninguém vai usar nem vender óculos escuros, colar de contas ou biquini de vaca, é ou não é? Foi só pra chatear mesmo, impedir o usufruto de quem, afinal de contas, achou boa idéia essa parada das vacas.
Mas desta vez não: quem o fez quis provocar reflexão. E conseguiu. Embora eu, claro, seja contra (por princípio) qualquer impulso destruidor, neste caso não sei, me impressionei.
E isso, é arte? Ou é crime?
É a arte contra o crime ou o crime contra a arte?

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