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Frase do dia: "Em termos de inteligência ecológica, a grande ideia é a transparência radical." Daniel Goleman |
Coisa de trouxa
Copo meio cheio
Voto em mim
Marcadores: literatura, midia
O Natal faz muito mal
Marcadores: literatura, love songs
X-R-I-X-C-X-R
Nesta manhã de Natal, como em todas as demais, não vou sair pra rua pra exibir os meus... opa! Brinquedos! Não, gente. Não é que eu tenha sido uma criança abandonada não. Apenas não sou cristã, sou judia e nunca ganhei presente de Natal. Não tenho tempo pra brincadeira e já nasci com essa seriedade toda. B-R-I-N-C-A-R. Não foi à tôa que custei tanto a descobrir, já que não pratiquei muito até conhecer o Alan e me soltar no mundo. No gozo. Quem teve uma mãe judia das boas, sabe. Como a Cintia Moscovich, de quem li de um gole só o "Porque sou gorda, mamãe?", lançamento de fim-de-ano da Record. Confesso: um pouco chocada. Tomara que seja mesmo meio-ficção, porque senão... Coitada. Da mãe. Dela. De mim, nem tanto, porque me identifico e por isso sei: o que tem de ficção ali é pouco. Sempre me achei gordinha, mas não tanto. Sempre me achei neurótica, mas nem tanto. E mamãe, bem. Hum. Sempre foi mazinha. Mas nem tanto.
Quando escrevi - e publiquei - meu primeiro livro, fiz uma revisão desse tipo entre mamãe e eu, com um medo danado da repercussão. Me senti culpada à bessa, confessando em publico as nossas misérias, mas perto da mãe da Cintia a minha era light, sério. A mãe de bruxa no "Eu, xamã" não chega aos pés da mãe bruxa real/imaginada da Cintia, apesar das muitas coincidências. Não sei se a Cintia perdoou a megera dela mas eu já, a minha. Tadinha. Como o trapo humano que virou, já pagou seus pecados todos - ela que sempre afirmou não ter nenhum - navegando em vida feito alma penada entre a carência afetiva inexplicada e a fantasia do abandono, ninguém merece. Mãezinha. Meu próximo livro, que escreverei ainda não sei quando, vai dedicado a você, querida: uma mulher apenas infeliz que teve tudo, mas perdeu o rumo da alegria. Se pelas páginas da Cintia me purifiquei, aprendendo a te amar, é só porque sou amada agora. Tudo deu certo no final, mamãe. Pode ficar em paz, você já fez por merecer. Custei. Mas te perdoei. Já posso ir lá fora brincar. Já posso crescer, mamãe. E vou. Prometo.
Marcadores: literatura, semita, verdade
Cena literária carioca

- Mais algumas noites tempestuosas...
- Mais alguns tiros na noite...
- Mais algumas cartas de editores rejeitando meus originais!*
*nem isso, Snoopy, nem isso!
Marcadores: verdade
Prazo vencido
- malhar menos, malhei. e deu muito certo, se vocês querem saber. no próximo pretendo malhar menos ainda até encontrar o novo modelito ideal "mulher madura", tô investindo nele. ainda corredora, porém mais lenta. devagar e longe, se Deus quiser.
- comer mais chocolate e mais pipoca*. mais chocolate, comi. um quadradinho por semana. adoça a boca e não dá pra engordar, ou pra alterar a proporção ideal de bactérias nas minhas tripas, uau. os relatórios científicos se aproximam cada vez mais da ficção, vejam.
- beber menos água, bebi. nada mudou. ou melhor, mijei menos. fiquei menos dependente de banheiro público, o que sem dúvida foi ótimo.
- ganhar mais dinheiro, ah! gente. fracassei miseravelmente nessa. sem comentários.
- não desejar emagrecer, tá certo. dei uma melhorada nesse quesito. ser amada contou bastante, eu recomendo.
- falar mais palavrão, coisa mais irrelevante. não presto mais atenção nenhuma nisso. quando um palavrão sobe à boca... o que é raro... deixo ele sair e pronto.
- ser menos responsável, médio. senti um pouquinho menos de culpa, mas ainda preciso melhorar muito.
- levar estas antiresoluções a sério. sério. como toda resolução de ano novo que se preze, esqueci destas cinco minutos depois. mas revendo hoje, até que não fui mal.
Quanto a me dedicar full-time à literatura... me dediquei. Tendo sido um ano 8, ralei pra caramba e não ganhei dinheiro, o que contrariou o espírito da numerologia. Mas me instalei de vez na nova profissão e daqui não saio. Gostei. Queira Deus que a solução material esteja à vista no ano 9 que vem. Uau. Tô me reconciliando com Deus, parece. Já citei o nome dele duas vezes só nesse post, ó de lá! Refleti. A coisa que eu sempre mais queria, agora tenho. Falta aprender a fazer dela o melhor uso, e esperar que toda a gratidão por meu sonho realizado de alma gêmea dê frutos, me faça sentir melhor comigo mesma. Dá uma energia tremenda, isso eu reconheço.
Para os próximos 525.948,766 minutos da minha vida, se continuar tudo como está estará pra lá de bom. Com um pouquinho de reconhecimento financeiro, ok?
Não dá pra terminar sem um pouquinho de ironia política. No post do ano passado citei Arthur Dapieve ..."dando a mão à palmatória e reconhecendo que os escândalos e decepções políticas monopolizaram a atenção neste ano". Quem diria que esse ano... mais ainda, mais ainda. Falta de vergonha política parece não ter limite, e no apagar das luzes do congresso ainda conseguiram se superar. Só frase feita e bem cafona pra descrever esse pessoal, gente. Para o caso de continuarem assim, sem representar nem mesmo em ínfima parcela os anseios de quem os elegeu, desejo que nos próximos quatro anos se tornem cada vez mais irrelevantes e sem poder**. E que os já extorsivos ganhos deles se limitem ao salário que recebem, o que já estará de bom tamanho. Abaixo a comissão e vigilância digital neles.
*quanto ao milho de pipoca na prateleira, esqueci. faz mais de um ano que não uso e deve estar com o prazo de validade vencido.
**ops. parece que estou querendo o fim do jogo democrático, tsk, tsk. não é nada disso, é justamente o contrário disso, mas por mais que eu pensasse não consegui refrasear, e me deu uma preguiça... então deixo assim mesmo, com ressalvas. o que eu queria mesmo era que surgisse uma nova geração de políticos, dessa vez do bem.
Marcadores: futuro, literatura, política
Procurando vaga
Caro Roberto, acredito ter algo a dizer. É certo que estamos, mais do que nunca, conscientes da crise que nos aflige. Tendo a justificar essa ansiedade, pelo menos em parte, ao crescimento e abertura progressivos dos meios de comunicação. Em tempos de celular com câmera, computador portátil e milhões de blogs, todo mundo dá o seu recado, seu pedacinho de insatisfação online... sem muita reflexão. Mas a vida não acabou. Nem os bons momentos, como você mesmo diz - a visão pitoresca e leve do cotidiano - desapareceram. Estão aí, caro Roberto. A gente é que, por um motivo ou outro, deu pra acreditar que alegria e felicidade não interessam a ninguém.
Desde que foi inventada a sociedade está em crise: uma situação de carência perpétua que apenas muda de tempo e lugar. Não seria preciso reconhecer que, com todo o drama, alguma evolução existe? Se a saúde pública continua péssima, pelo menos a expectativa de vida se ampliou? Se a favela é pobre, pelo menos tem tevê, geladeira, fogão a gás? Que apesar dos interesses francamente monetários que a movem, a indústria da tecnologia beneficia a todos?
Pra não falar de matéria e consumo, meu caro: o amor ainda existe. No escurinho do quarto de casal, sem muito alarde, o abraço apaixonado ainda abriga. Apesar da forma humana dos amantes, da qualidade sem fogos de artifício do orgasmo, das barriguinhas, da flacidez. O mundo da mídia é um, e o da intimidade, outro. Nem sempre compartilhado, porém, presente. E se a nova geração não teve tempo de aprender ao vivo alguns desses segredos, vai o meu conselho. Ou alerta, sei lá. O amor é que vale, gente. Outro dia uma prima minha descrevia, para meu espanto, as prioridades da filha engenheira, já se aproximando dos trinta: hoje em dia as mulheres se preocupam é com a carreira, com o dinheiro... amor e projeto de família deixados pra depois; (e ela acha muito bom) não querem namorado, ou compromisso emocional de nenhuma espécie. Hum. Já estive lá. Fiz sucesso, aos trinta, como empresária e designer... Mas a falta de amor minava tudo, sério. Acabou jogando no fosso aquela fama toda. Fracassei.
No espaço cada vez mais público das idéias falta a poesia, isso sim: a perspectiva poética da realidade. Falha nossa, companheiro cronista, e a hora é essa pra gente se redimir.
Marcadores: love songs, midia
Parabéns, Poeta

"Uma ave me sonha/ uma brisa me garça/ o silêncio me pedra." Uau, gente, o que foi isso? Uma luz mais forte que tempestade solar afastando o bode? E o cara aos 90 é moderno, ah, é. Confessa viver de herança: "Sou vagabundo profissional. Comprei o ócio pra poder trabalhar." Hum, hum. Gostei dessa, claro. Purgou a culpa. Como disse muito bem uma amiga minha, o mercado não nos quer, dane-se o mercado. Quem nasce pra poeta nem sempre acaba em lista. (de bestseller) Já vamos adiante, em sintonia com a inexistência do tempo. Despejamos o coração e o que respingar... Brota.
Por essas e outras, parabéns, Poeta. Num mundo que se reinventa sem que os pessimistas percebam, nosso destino a gente é quem faz.
Marcadores: futuro, literatura, love songs
O amor não tira férias

Parece nome de filme. E é. Em pré-estréia especial nesse período de pré-festas, blablablá romântico adoçado pela beleza dos protagonistas. Gostei. Vou nessa.
Uai. E vocês não sabiam que sou romântica não? Por essas e outras estou dando uma palinha por aqui, mas continuo low profile. Esse ano não me indigno mais. Nem reclamo. Nem corro. Nem malho. Parati foi dez. Choveu. Mas como lua-de-mel foi dez mil. Valeu.
Foi voltar e ver que os mais recentes posts na Carla querem mostrar - e, se depender de mim, fracassarão - que mulher não tem senso de humor, e é mesmo um serzinho inferior que batalha pela igualdade dos sexos, mas nunca chega lá. Acaba sempre trombando numa Quebra-Barraco pelo caminho. Ah, bom. Pelo menos não precisa de expedientes mil pra aumentar o tamanho do pênis, certo? Quanta besteira... guajira quanta besteira... Adoro meu homem e adoro ser mulher, Deus me livre de ser diferente. No calor da menopausa e tudo. Temos nossos momentos de conflito, claro... e não são poucos... nem calmos... A gente até se embola. Mas quando penso na minha vida de solteira, não quero voltar pra ela não. Fui feminista, empresária, independente, ainda respondo aqui em casa pela grana... Mas esse casamento, sério, me faz sentir que cresci. Fiquei adulta. Tal é o valor humano indiscutível de um bom relacionamento, por mais que se diga tudo em contrário. Só tenho pena de não ter família, ficou tarde, com essa modernidade toda... Por isso, começando a desejar, é o que desejo pra todo mundo. Muito amor e nenhum mistério. Transparência total. E por mais que aquele amigo moderninho afirme que "se no seu livro tiver a palavra 'coração' eu não vou ler", sorry, gente. Daqui pra frente, não dá outra. Deixa o coração falar.
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Merry tudo
Agora eu vou contar pra vocês - e que ninguém nos ouça - o que fez ontem em seu primeiro dia de férias a minha persona privada. Fui ao shopping. A pé, não perturbei o trânsito. Olhei vitrines maravilhosas pela primeira vez em anos. Adorei a nova Travessa, nunca vi tanto livro junto e fui muito bem atendida. Faz tempo que eu não fazia uma farra consumista literária dessas, só compro pela internet: comprei o "No Colo do Pai", do Kureishi, para ler na viagem. Comprei também: um biquini novo, grande o suficiente pra cobrir a minha cinquentenária bundinha; uma lindíssima camisa de linho branco da Richards, em seis vezes sem juros, pra garantir o sexo na minha segunda lua-de-mel. E terceira, quarta, quinta, centésima, se Deus quiser. Almocei lá mesmo, com uma vista linda pro Cristo e pras montanhas em redor. E last but not least, mandei pro espaço a dieta do carbono alugando um carro pro fim de semana que ninguém é de ferro. E completei o dia com o Alan emergindo do inferno azul dele. E meu. Até chorei, gente. Vou ser sincera: sou simples. Tenho 2 ou 3 vestidos, de malha e baratinhos. Mas vendo outro dia os estilos femininos na Revista do Globo, ah! Que vontade de ser dourada! De usar um brinco bem grande, salto alto e roupa nova! Pois é, gente. Consumo equilibrado faz parte da vida e alegra a alma, até de quem não confessa. E se eu cruzar um dia nos corredores do shopping com todos esses detratores públicos da mudança, prometo contar procês, ó. Juro. O que vai ser difícil, já que depois dessa overdose só pretendo ir ao shopping umas duas vezes por ano: depois de meia hora, acho uma chatice.
Equívocos afetivos
Por trás desse movimento ecológico todo está um dilema que vem nos corroendo por inteiro, em todos os aspectos da vida moderna: o confronto dinheiro x afetividade. No blog da Carla a discussão não é nomeada, mas aparece, e ocupada demais pra deixar um depoimento lá, faço desse post a minha participação. Encarar casamento como adversário do sucesso profissional não tem nada a ver, gente. A família anda em baixa porque nosso estilo de viver tem nos tornado egoístas, fechados em nós mesmos e viciosamente materialistas. Sempre trabalhei, e nem por isso deixei em segundo plano meu desejo intenso de amar e ser amada. Muito pelo contrário, fiz disso o meu lema. Ops. Tema, o assunto do meu trabalho. Já reclamei com a Carla a falta recorrente da palavra amor nessas discussões sobre relacionamentos, e ela me respondeu que o amor é condição básica, então... Será mesmo? O que vejo é a família cada vez mais tratada como um utilitário, a afetividade esquecida. Amar é duro. É preciso compreender o outro, aceitar, orientar, ceder e ser compreendido, aceito, orientado. Alguém aí topa? Quem se julga independente não anda topando não. Mas o imaginário do amor continua aceso, e desviando um pouco o foco: a turma gay está louquinha pra se casar, constituir família. Nada contra. Sou a favor da liberdade civil e pronto. Mas não deixo de pensar sobre o assunto, agora que estão todos querendo filhos. Tá certo. É direito deles. E é também direito de uma criança ser criada por um pai e uma mãe, o que no caso é impossível... Dois pais e duas mães não serão jamais uma expressão da natureza, o resultado de um encontro amoroso pleno. Serão, no máximo, a vitória do materialismo sobre a afetividade. Uma geração de laboratório. Desculpem, se sou careta. E olhem que nem filho eu tenho, mas se tivesse... ia querer que fosse feito no calor energético de um orgasmo bem gostoso. Ninguém me tira da cabeça que uma criança, ao olhar para papai e papai, ou mamãe e mamãe, sentirá no âmago uma sensação inexplicável de inquilino. E morando na casa errada.
Ah. Deixa pra lá. Eu nem deveria ter escrito nada hoje. Em vez de aproveitar a temporada natural do amor que o verão e o fim de ano traz, tá todo mundo sofrendo de caos: caos aéreo, caos no trânsito, caos político, e caos afetivo também. Pode ser que eu ande influenciada, dez anos depois, por estar trabalhando num texto esotérico, com os dois pés enfiados na jaca da espiritualidade, onde a palavra amor aparece 114 vezes. É, gente. Eu contei. Foi pouco, pra quem passa a vida tentando fechar as contas.
Com o avanço da tecnologia, não vai demorar muito pra gente descobrir o verdadeiro sentido da vida, um conjunto de valores que realmente valha a pena. Num planeta cada vez mais plugado, as pernas da mentira estão cada vez mais curtas. Pode até levar alguns séculos... Mas o que são séculos, numa história de trilhões de anos? Se as mulheres vem de Vênus, não sei. Parece fantasia. A idéia de que os homens vêm de Marte, no entanto, vem ganhando força: até água já acharam lá. E só pra terminar, deixa eu esclarecer: apesar da mulher ter sempre mandado no mundo, o termo "homens" abriga o coletivo dos quatro gêneros, viu? Uma sociedade terráquea, que soa cada vez mais marciana.
Marcadores: futuro, love songs, sexo
Transformando a dor em humor: um delírio literário
Comprei passagem para o inferno e embarquei com meus demônios, eu e minha culpa inútil, mas agora rompi mesmo o cerco, não é? Estou a quilômetros, milhas, anos-luz de distância dela, na minha vida e não mais na vida dela mas depois do fórceps, não abri direito os olhos e ainda acho que estou no útero e que os ferros todos não passam de um sonho mau. Meu nariz não acredita que a qualidade do ar mudou e que os cheiros são agora outros. Abro o olho direito um bocadinho, vejo que a luz está mais forte e o Sol, opa, meio quente. Faço o caminho ao contrário e vou nadando pra dentro do útero em vez de sair dele, só mais um pouquinho, pra comprovar a cor dos ferros malditos e provar que não me ameaçam mais. Limpei do meu armário a memória da mulher que não goza, porque não há jamais de aproveitar a boa vida. Mas me enganei, porque ao entrar de volta, voluntariamente, no útero - com objetivos puramente científicos - calculei mal a minha fraqueza e a força deles, dos ferros malditos. Já não quero estar no útero, agora que voltei lá e finalmente voltei de lá, vivendo e vendo as criancinhas com as carinhas sujas, abandonadas pelo leite materno enquanto me entupi de leite e o Mateus me contando que depois de forjado o ser humano maduro, duro como aço, o leite fica corrosivo e a gente precisa se enferrujar um pouco, sim, com uma fina pátina de ferrugem que, dizem, protege da corrosão, mantendo a integridade do corpo que nunca mais vai tomar leite ou buscar o seio da mãe: o seio não está mais lá. A mãe engordou, ficou velha e meio desligada, o peito murchou e caiu. Ela não manda mais em mim e o leite que tem lá agora é muito indigesto e por causa disso esta manhã cortei o leite do café já que adultos maduros, forjados em aço e ácidos demais não tomam leite nenhum, só suco de grapefruit que, dizem, queima gorduras no novo comprimido israelense de ilusão que eu tomo seis por dia, só pra não gostar de leite e mel procurando em outros leites o meu deleite, muitos outros nessa terra que não engordam e fazem crescer muito, dizem, espiritualmente. Ainda vou convencer a todos de que sexo com amor é o melhor deleite. E não corrói. Quando eu puder – se Deus quiser - entrar em Sephoris, liteira dourada de mulher pra sempre magra e linda e nunca mais como Hércules lutar: os trabalhos terminarão. Minha própria deusa eu serei, no corpo dourado endeusada que não se deforma mais. Engulo a mim mesma e no autofágico ato de me engolir, vou finalmente me digerir, escrevendo comédia sem soltar mais gases. Foi nesse momento que abri os dois olhos, bem abertos depois do fórceps e se entrasse de novo no útero, seria de novo um parto de fórceps porque a bacia é muito estreita e ao enjoar dessa história de estar sempre nascendo, sempre um bebê faminto, pode ser que eu descubra que é o leite materno que dá gases e o desnatado da Parmalat não. Evoluí. Estou ficando rápida na espiral processual, os anos são agora dias e o leite acabou, o peito caiu. Os seios que não amamentaram nunca e leite nenhum verteram são... para o meu amado, da gazela os gêmeos olhos, e gazela para sempre? Será que eu posso ser? Esguia e livre correndo no prado os gêmeos seios numa taça onde o melhor vinho se bebe, moderadamente, é claro. Melhor que uma vaca pesada, vaca leiteira com as tetas inchadas e quanto é que custa em Israel? Tecnologia avançada pra tirar o leite, faturar com a tal história do leite e do mel sem contar pra ninguém que corrói os dutos do curral e o fígado de quem bebe? A vaca é gorda e ainda por cima, louca! Louca sou eu com essa imagem pesada de leiteira (esta mulher é uma vaca) e não contaram mesmo pra ninguém, não é? Gazela é mesmo um negócio bem melhor. Com os seios gêmeos e tudo, olhos azuis de Salomão engolindo salmão e comendo a amante num leito de cânticos. Em dia de semana. O tal Jeová do Velho Testamento sim, é mesmo esperto: iludiu o povo por uns 6 mil anos com aquela história de exílio, culpa e extermínio... Agora imagine. Se o gozo de Salomão e aquele mito de como era boa a Sulamita tivesse vazado, quem é que aceitaria ficar rezando? Servir para sempre a um único senhor?
Gostou? Está online, no "Eu, Xamã". Vai lá que tem mais.
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Totalmente demais
Não sou fã de Drew Barrymore, gente, e by the way, de nenhuma celebridade. Jamais gastaria um tostão ou um minuto de tempo perseguindo um sonho bobo desses. Mas tenho que admitir: o filme que resultou é totalmente, totalmente demais. Adorei. De montão, meeesmo. Nem sei se é verdade ou se é fake, a qualidade parece demais pra uma câmara alugada, mas o roteiro é ótimo, os garotos uma delícia de simpáticos, e a dose de sonho realizado... bem... uma colher de mel bem cheia a mais! Deu a maior esperança! E nada de prazo, gente. Esse negócio de prazo é totally fake. Prazo bom é prazo vencido, e nunca é hora pra se desistir do que se quer. Vai fundo. Eu vou. Beijinhos beijinhos e tchau. Ah, já ia esquecendo. No dvdclubonline, tem.
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Fuck you, machos
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Update
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Amar é...
Porque a coisa aqui ficou feia hoje, gente. Pensei que ia perder o prumo. E o juízo. Eu já vinha reclamando que o Alan estava lerdo, a fala meio pastosa, mas pensei: é a primeira semana da droga do valium, depois melhora. Essa noite ele gritou comigo, tive que dormir na sala, mas pensei: ele está nervoso, o filho querido dele passando o fim de semana no Havaí com a mãe, está com ciúme, sei lá. Quando acordei, ele ainda dormindo, resolvi procurar as caixas do remédio, e só encontrei uma, completamente vazia. Depois mais uma, completamente vazia. A terceira não encontrei. Gente! Entrei em pânico! 60 comprimidos em cinco dias! Comecei a chorar, balancei o cara até que ele acordou, fiz um café bem forte e me preparei pro hospital. Pouco depois ele me trouxe duas caixas fechadas do remédio, tinha tomado uma e a outra era antiga, que estava guardada. Ufa. Mas no filminho da minha cabeça, era o malsucedido suicida, e tão infeliz assim, gente! Porque? Uma coisa inacreditável. Há menos de uma semana um homem forte, cheio de energia e talento, superpotente, e agora esse trapo humano. Até o pênis encolheu, sério. Quando me acalmei, li no jornal o depoimento da mãe que prefere ser mala a deixar a filha freqüentar essas raves de traficante. Tá certa ela, gente. Eu também, prefiro ser mala a ser viúva, e ainda por cima culpada. Ensaiei jogar a droga fora, mas não tive coragem. Escondi. Tenho medo da minha própria fraqueza, isso sim. Que num momento de amor benevolente eu acabe devolvendo a caixa pra ele. Mas Deus é pai, gente. Ele vai melhorar, e teremos nossa lua-de-mel em Parati. Quando a gente voltar, vou pegar o touro pelo chifre e ver se encontro uma solução para a tal da dor na perna neurológica que incomoda tanto a ele. Aceito sugestões... Rezem por mim. E por todos os viciados em drogas legais do mundo, gente. Olhemos todos na mesma direção que essa vida não tá mole não.
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Efeitos colaterais
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Dioniso e eu, ou Dioniso também sou eu
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