Tchau, Câncer
Pois é. Manchetes internacionais confirmam neste 20 de novembro, dia da Consciência Negra (será mera coincidência?) que, para nosso profundo pesar, o Oprah Winfrey Show não estará mais no ar a partir de 2011, será que estarei viva até lá?
Mas, calma, gente: aparentemente, a coisa, pra variar, não é bem o que parece ser. Oprah não aparecerá menos na sua telinha em futuro breve, mas, na verdade mais: está abrindo um canal a cabo inteirinho para si — com o nome espertíssimo de "OWN" ["Oprah Winfrey Network"], traduzindo para o bom português: "POSSUO" ["É meu e ninguém tasca"] —, imaginem se a coisa pega, hein? Em vez de cento e tantos canais obrigatórios, nem mil e poucos nos satisfariam a sede de conteúdo pago, afe.
Agora. Mesmo sendo tão esperta, Oprah está longe de ser perfeita, já que escolheu para a data de divulgação na mídia de sua mais recente proeza televisiva um adversário infeliz, bem mais forte do que ela mesma (e não estou falando daquele zumbi): a notícia do adeus ao excesso de mamografias, papanicolaus e outras torturas que nos atormentam desde que me dou por gente (quem não se arrepia a toda vez que percorre os seios, diligentemente, em busca de caroços suspeitos, que atire longe a primeira radiografia), e, cá entre nós, a imprensa não fala de outra coisa.
Confiram (deu no NY Times):
Guidelines Push Back Age for Cervical Cancer Tests [Recomendações oficiais atrasam a idade mínima para testes cervicais (papanicolau)]
Mammograms [Mamografias]
Addicted to Mammograms [Viciadas em mamografias]
E, claro, já tem gente dizendo (na oposição, principalmente, oposição a Obama e à saúde mental das pobres de nós, neuróticas mulheres que a medicina moderna torna ainda mais histéricas) que a culpa é toda de Obama, que tudo se trata apenas de um jeito de o estado economizar os trocados gastos com essa mania de exagerar nos exames.
Cá entre nós, se eu fosse a Oprah, chamava rapidinho o Dr. Oz pra dar um jeito ao vivo nessa bagunça informativa. E de quebra a Gail Collins, colunista do NY Times, com cuja impressionante coluna confessional de ontem, publicada naquele jornal, concordo inteiramente: estaríamos bem melhor arranjadas se jamais tivéssemos dado ouvidos a este tipo canceroso de paranóia feminina.
MEU CORPO É MEU E NINGUÉM TASCA. Vade retro, seu doutor.





















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