Noga Sklar é escritora, editora e arquiteta. Foi designer de jóias, móveis e objetos; desde 2004, se dedica exclusivamente à literatura.
Como editora da KBR, é pioneira na publicação de livros digitais em português. Tem 7 livros publicados.
Vozes da Flip
"A razão disso ser interessante é que é verdade."
Shalman Rushdie, sobre o livro que está escrevendo, descrevendo seus tempos de fatwa.
"Tudo bem querer dizer as coisas da melhor maneira possível, mas a verdade é que na maioria das vezes uma escolha funciona tanto quanto a outra. O mais importante é pôr o trabalho na rua."
Lionel Shriver, autora de Kevin.
"Passou perto de dizer que seria melhor a organização do evento ter homenageado Sérgio Buarque de Hollanda."
Sérgio Rodrigues sobre FHC no nosso Todoprosa (como enviado especial de Veja, chique)
"As palavras também podem ser atos."
Barack Obama, citado por Simon Schama
"Desde criança, eu tenho a experiência de um olhar duplo, de enxergar as pessoas e ao mesmo tempo me ver de fora. O resultado dessa duplicação é que mesmo ao viver as experiências mais banais há em mim uma voz anterior especulando sobre a melhor maneira de contar essa experiência. Isso muitas vezes chegou a ser uma barreira para o gozo sexual, porque acredito que no sexo deve haver um abandono de si que nem sempre consegui ter."
Catherine Millet,
autora de A vida sexual de Catherine M.
"Terminei o projeto com um papagaio que engoliu a carta." Sophie Calle, seríssima, explicando ao vivo na Flip, frente a frente com seu ex, a exposição "Prenez soin de vous"
"Literatura brasileira: uma das cotações mais pífias da Bolsa Internacional de Valores Literários." Sérgio Rodrigues
"Um chinês quando casa com uma ocidental vira uma desgraça para ela, porque somos muito machistas." Ma Jian, escritor chinês radicado em Londres, que se sente como "um peixe fora d´água, uma árvore cortada" tanto na Inglaterra quanto
na China.
"Você pode passar a vida indo a conferências de escritores e sabe Deus o que mais. E aí não faria nenhum trabalho. Eu digo não para tudo."
Tom Stoppard, dramaturgo inglês
Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela.
Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte.
Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia: "Não há mesmo por que banir a subjetividade da escrita, já que a terceira pessoa e sua pretensão à neutralidade e à acuidade não são, em si,
garantia de absolutamente nada."
Paulo Roberto Pires, para a Folha de São Paulo
"Quando o autor é casado, o ensaio brilha de contentamento."
David Brooks, para o NY Times
"Um bom judeu não pode estar satisfeito. Se ele estiver satisfeito é porque não é um bom judeu.
O judeu está sempre querendo aperfeiçoar-se."
Simon Peres, presidente de Israel
"Os humanos são seres simbólicos."
Lídia Aratangy, na Revista da Cultura
"A palavra cantada deixa sulcos muito profundos na memória de quem a escuta."
José Miguel Wisnik, em sua coluna n'O Globo
"Bolsas despencam, Londres arde, mas chega uma hora em que é preciso tocar a vida: ler, escrever, amar."
Sérgio Rodrigues, Todoprosa
"A ideia é usar os recursos digitais como chamariz, criando uma aura cool e jovem em torno da boa e velha literatura. Aquela feita exclusivamente de palavras, uma depois da outra. "
Scott Lindenbaum sobre sua revista Electric Literature, via
Todoprosa
"Este pequeno país que inspira as maiores coisas, seus melhores dias ainda estão por vir. "
Barack O'Bama na Irlanda, e não é que é mesmo? (Quanto à segunda parte da frase, hummm...)
"Os formatos e canais de distribuição de livros continuam a evoluir, mas a publicação criativa começa com o relacionamento entre autor e editor."
Gina Centrello, presidente da Random House, no
NY Times
Como os demais ditadores, ele estava ocupado demais criando o problema para que pudesse apresentar a si mesmo como a solução.
Roger Cohen, no
NY Times, sobre a queda de Kadafi (estamos esperando)
Cantou seu repertório censurado, pegou seu saquinho de dinheiro comunista e saiu de fininho. Maureen Dowd, no
NY Times, sobre Bob Dylan na China: os tempos mudam.
Eu sou assim: quando ponho em palavras dói menos. Miriam Leitão,
em seu blog.
Adquirimos um desejo de tecnologia que ultrapassa a compreensão humana.
Mas a conta cobrada por tal desejo veio cara demais. Kazumi Saeki, romancista japonês, no
NY Times
A norma editorial de utilizar traduções prévias sem levar em conta o contexto e a finalidade da citação muitas vezes enfraqueceu – e algumas vezes anulou – os argumentos do próprio autor.
Denise Bottmann, via
Todoprosa
Vemos a comunicação digital instantânea como uma arma contra a opressão e, nas mãos de tiranos que acessam
seu poder, uma arma de opressão. Maureen Dowd, no
NY Times
Pessoalmente, acho que a liderança militar está com um pouquinho de medo dos jovens movidos a Twitter da Praça Tahrir. ainda Thomas Friedman, no
NY Times
Essa revolta é em primeira instância sobre um povo que está farto de ser deixado para trás, num mundo onde podem ver claramente com os demais avançaram. Thomas Friedman sobre a revolta no Egito, no
NY Times
Nas mãos de um escritor talentoso, o universo está contido no pessoal. Dani Shapiro, no
NY Times
Eu preferia um artista que transformasse seu tempo, em vez de refleti-lo. Patti Smith, via Maureen Dowd, de novo, no
NY Times
O objetivo de um artista não é resolver um problema irrefutavelmente, mas fazer as pessoas amarem a vida em todas as suas incontáveis, inesgotáveis manifestações. Leon Tolstoy, morto há cem anos, via David Brooks, de novo, no
NY Times
Se um partido vai se dar bem nas eleições, que seja pelo menos um partido que optou por ser modesto. David Brooks, de novo, no
NY Times
Mesmo que o público não te aprove, você tem que aprovar a si mesmo. David Brooks, no
NY Times nota desta redação: infelizmente, ele estava sendo irônico.
Van Gogh bem-sucedido só existe no banco Real, atual Santander. Marcelo Mirisola, no
Congresso em Foco
O sucesso hoje em dia não é somente produto da inteligência. É o cérebro e a tiróide trabalhando juntos: QI associado à energia e um desejo inacansável de ser o melhor. David Brooks, no
NY Times
A fonte secreta do humor não é a alegria, mas a tristeza. Não há humor nenhum no paraíso. Mark Twain, via
Todoprosa
Vida e obra andam, em muitos casos, coladinhas. A diferença entre os bons e os maus escritores é que uns sabem, outros não, como colocar isso no papel. Luiz Rebinski Jr, para o
Digestivo
Uma das grandes dádivas da diáspora: viajamos, nos mudamos, e continuamos a ser nós mesmos. Sam Kestenbaum, pescador, no
NY Times, sobre o Yom Kipur no mar
Não vejo diferença significativa entre a cartomante, o biscoitinho da sorte e qualquer uma das religiões organizadas. Woody Allen, sábio,
aos 74
O livro não é só o que escrevo, mas o que se passa à minha volta enquanto escrevo. José Castello, em
entrevista ao Prosa Online sobre seu novo romance, Ribamar
Os homens enlouquecem em bando, mas voltam à razão lentamente, um de cada vez. Charles Mackay, na coluna de
Maureen DowdA literatura, e não as escrituras, é que sustenta a mente e — por não existir outra metáfora — a alma. Christopher Hitchens para o
NY Times
Uma gafe é só a verdade transbordando. Maureen Dowd no
NY Times, sobre a derrocada das esquerdas
A realidade é inclemente: o encanto se quebrou. Fuadi Ajami no
Wall Street Journal, sobre o fenômeno Obama
Uma sociedade bem-organizada é aquela onde sabemos a verdade coletiva sobre nós mesmos,
não uma em que contamos agradáveis mentiras sobre nós mesmos. Tony Judt, um dos mais trágicos vira-casacas da modernidade
"Ser ameaçado de morte é bom para o humor." Salman Rushdie
"Obama pode não ser o político dos nossos sonhos, mas os inimigos dele, certamente, são o nosso pesadelo." Paul Krugman, no NY Times,
em tradução livre.
"The book is on the tablet." Equipe editorial da revista "Negócios da Comunicação", em excelente artigo sobre o livro virtual.
"Livre não é sinônimo de grátis." Jaron Lanier, em entrevista à Veja criticando a internet.
"Não colocaria nem um centavo no 'sobrenatural'." Marcelo Gleiser, na Revista da Cultura.
"O segredo da continuidade evolutiva de seu trabalho reside em uma aprendizagem, fria e desapegada, de como analisar a opinião publica." Vik Muniz, em entrevista a Luciano Trigo.
"Se eu quisesse curtir a vida, teria que ler bons livros. Mas como transformar isso em negócio, se as pessoas que escrevem bem não são bem pagas?" Andrew Wylie, um agente literário na era digital, via Verdes Trigos
"A única certeza, em todo caso, é que escritores são animais de hábitos e que a maioria deles têm um fraco por rituais e disciplina." Ezequiel Vinacour para La Nacion, via Blog da Flip
"Crônica: gênero do Eu e da confissão, mas também do mundo e da invenção." José Castello em sua coluna de sábado, que o Globo não linka
"Vou logo avisando: fico possesso quando alguém quer mudar um projeto meu." Jacob Goldemberg em Contocrônicas, na mesa de edição da KBR
"Dionisos será meu guia nessa viagem, que nada terá de teatral, mas será profundamente vital." Alberto Guzik em em seu blog
"Não tenho uma criança interior. Se tivesse, a esta altura eu já saberia." A.L. Kennedy em What Becomes
"Todas as pessoas de sucesso experimentam e realizam suas ideias na prática, sem medo do ridículo, sem medo de fracassar." Bertris Kurtz em Siga sua intuição, na mesa de edição da KBR
"No próximo episódio da Web, qualquer indivíduo pode ser um editor." carta aberta da Adobe em resposta ao ataque da Apple, também em carta aberta.
"Devo tudo que sou à minha mãezinha. O problema são os juros que ela cobra." Agamenon, politicamente incorreto em O Globo
"A psicanálise cura tanto quanto a homeopatia, o magnetismo, a radiestesia, a massagem do arco do pé ou o exorcismo feito por um sacerdote." Michel Onfray, em seu novo livro O Crepúsculo de um Ídolo, a Fábula Freudiana, via O Globo
"O impossível é o embrião do possível." Victor Hugo
"Vacinou-se com humor e ironia da seriedade bocó dos grandes intelectuais brasileiros." Paulo Roberto Pires, em seu blog, sobre Sérgio Buarque de Holanda
"O passado é a chave do presente." Bill Burton, vulcanólogo, para o NY Times
"Todo bom escritor é intransigente — contra tudo e contra todos, faz o que deve fazer. Escreve o que tem de escrever. Agarra-se a si mesmo e não se larga." José Castello, em seu blog n'O Globo
"Duvidar de si é fundamental." Tônia Carrero, no belíssimo Tonia Carrero - Movida Pela Paixão, da Coleção Aplauso, que estou convertendo agora
"Como aprendemos a duras penas, pequenas ficções podem crescer violenta e rapidamente na câmara de eco da mídia 24 horas." Frank Rich, para o NY Times
"A experiência da leitura é o mais radical contato com a solidão que já conheci." José Castello, em seu novíssimo blog no Globo
"A forma não só determina o conteúdo; a forma inventa o conteúdo." Gilbert Sorrentino, no NY Times
"Em termos de inteligência ecológica, a grande ideia é a transparência radical." Daniel Goleman
"Um terremoto como este destrói de uma vez velhas associações; o mundo, símbolo por excelência de tudo que é sólido, se move sob nossos pés como uma crosta sobre um fluido; um segundo de tempo implanta na mente uma estranha impressão de insegurança, que horas de reflexão jamais criariam." Charles Darwin, testemunha ocular do grande terremoto do Chile em 1835
"O grande e maléfico financiador do tráfico — e isso sim é uma revelação incômoda — é a proibição." Arnaldo Bloch, no Globo
"A autoestima nacional deveria brotar não do poder global, mas de realizações e valores culturais." Piers Brendon no NY Times, sobre a queda anunciada do Império Americano
"Qualquer um pode comprar ações. Administradores de fundos podem comprar os tubarões em conserva de Damien Hirst." Eduardo Porter, sobre O poder da arte, ops, o poder e a arte. No NY Times.
"Não deixe a magia escapar, ou você vai se afundar na areia movediça da trivialidade." Elena Gorokhova, em Um monte de migalhas
"A página era o lugar onde eu poderia refletir sobre o que havia acontecido." Brian Turner, "poeta de guerra"
"Se você pode não escrever, não escreva." Chekhov, citado por Elena Gorokhova, cujo livro de memórias, Um monte de migalhas, vem fazendo sucesso de crítica e está na fila do meu Kindle
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer." J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo
"Só um par de messias fazendo algumas cestas e trocando histórias de homem-do-povo." Maureen Dowd, no NY Times, fazendo pouco da nossa fome de milagres [políticos]
"Não nos habituamos ainda a viver num belo mundo novo, é preciso algum tempo para se acostumar com isso." Karen Bishop, em seu site "Anjos emergentes" sobre a "nova terra", meio delirante, certo, mas tem muito a ver comigo em minha nova vida na Serra
"Esta não é a história de um desastre da natureza. É uma história de pobreza. É uma história de edifícios mal construídos, de infraestrutura ruim e de serviços públicos terríveis." ainda David Brooks, no NY Times, sobre a tristeza reinante no Haiti
"O sucesso tecnológico de Israel é a fruição do sonho sionista." David Brooks, no NY Times
"Algumas pessoas têm uma habilidade inata para criar um espetáculo, algo inerente que não pode ser ensinado." Neil Waldman, professor e ilustrador, em artigo do NY Times
"Uma vez livres das algemas da tecnologia impressa, novas maneiras de contar histórias fluiram no início do século 21 numa explosão extraordinária de criatividade." Alun Anderson, imaginando uma entrada futura de wikipedia, na edição 2010 da Central de Perguntas da Edge
"Transformar problemas práticos em cataclismas cósmicos nos afasta cada vez mais de soluções reais." Denis Dutton, em excelente artigo no NY Times sobre nossa mania de catastrofismos globais
"Realizei um mundo de leituras — todos os russos, Balzac, Flaubert. Nunca pude engolir Dickens — engraçadinho demais" John Updike, em O riso dos Deuses, conto de "My Father's Tears and Other Stories"
"O jornalismo costuma atrair os tímidos, que adoram o trabalho de reportagem porque lhes dá um roteiro que lhes permite conectar e conversar com outras pessoas." Judith Miller, em sua coluna de despedida no blog Domestic Disturbances, do NY Times
"A verdadeira sorte dos autores é que não há fracasso que não vire uma grande história. O que não aconteceu na vida pode virar arte."
Fabrício Carpinejar para a Revista da Cultura
"O que realmente nos sustenta é a família, a liberdade, e as belezas da natureza"
Stanley Fish em, imaginem, resenha do livro de Sarah Palin, para o NY Times
"Não parece que a literatura brasileira viva momentos esplendorosos, mas este é sem dúvida um romance muito bom."
do espanhol Jorge Díaz em seu blog, sobre a Chave da Casa, de Tatiana Salem Levy
"A diferença entre o místico e o louco é que o místico pode voltar, emergir do estado de graça e encontrar uma linguagem humana para descrevê-lo." Benjamin Moser in Why this world, biografia de Clarice Lispector
"Nunca acreditei que tudo acontece por algum motivo. Mas tenho a profunda impressão de que tudo acontece para ser transformado em coluna de jornal."
Gail Collins em incrível coluna sobre os "avanços da medicina" no NY Times
"Depois do 11 de setembro, metade da América foi à guerra e a outra metade foi às compras."
Roger Cohen no NY Times
"Quando autores modernos reclamam da intolerável solidão da alma, é apenas prova de sua intolerável vacuidade."
Karen Blixen
"...aí você vai dar tanto trabalho quanto Joyce."
Thereza Christina Rocque da Motta, editora da Ibis Libris, sobre meu sonho precoce de traduzir meus livros para o inglês e publicá-los no Kindle
"O casamento está mais vulnerável do que nunca à corrosão da política: ataques partidários, decepção com iniciativas fracassadas, a tentação de utilizar em público o que antes era completamente privado."
Jodi Kantor para o NY Times em entrevista exclusiva com o casal Obama
"Realmente um marco no mundo editorial, o leitor eletrônico de livros. O Kindle é algo prático, de fácil uso. Que venham os livros, os jornais, os folhetos."
José Olive, leitor de "O Globo" no Kindle
"Sou uma pessoa que gera anticorpos em muita gente, mas não ligo. Continuo fazendo meu trabalho."
José Saramago, o escritor do momento
"A vida sem a escrita é uma vida de vazio, tédio, amnésia e suicídio; ao mesmo tempo, escrever exige que eu enfrente sofrimentos e desastres sem fim."
Liao Yiwu, escritor chinês, em emocionante depoimento no Prosa Online.
"Diverti-me bastante, mas sobretudo gozei com o facto de ter podido meter a ironia e o humor num tema em princípio tão dramático."
José Saramago sobre Caim, seu novo romance, em entrevista ao Prosa Online.
"Escrever é amar, acima de tudo. E entregar-se a um projeto de corpo e alma, sem maiores preocupações senão em dar o melhor de si."
Tibor Moricz, em seu blog.
"A diferença entre você e eu é que você tem tudo que o dinheiro pode comprar, e eu tenho tudo que o dinheiro não pode comprar."
Roger Cohen, em artigo do NY Times.
"Se alguém lhe disser que isso é neurótico ou mórbido e você lhe der ouvidos — então perderá sua alma —, porque neste livro está sua alma."
Carl Jung, em conselho a uma de suas analisandas.
"O telefone chama, o bebê reclama, na tevê o guru da dieta engana." Alice Randall, em traduição livre.
"Pode parecer ridículo na minha idade pensar que ainda não realizei o quadro que queria fazer. Mas também é bonito, porque te ajuda a manter-se ativo." Antoni Tàpies, pintor catalão nascido em 1923, em seus 80 anos.
"Temos no Brasil hoje um governo moralmente frouxo e um congresso apodrecido." Fernando Gabeira, político brasileiro.
"O mais curioso [em se tratando de dinheiro] é como algo tão real pode ao mesmo tempo ser tão ilusório." Simon Critchley, filósofo.
"Não posso tweetar. Me sinto com 82 anos dizendo isso, mas não posso." Julie Powell, em entrevista no YouTube: quando eu retroceder quero ser ela, é sério.
"Alguém, creio que Don DeLillo, já disse que o segredo da literatura está no modo como se enfileiram palavras, o resto é secundário."
de Sérgio Rodrigues, bem a propósito, em seu blog Todoprosa
"De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."
do "blogueiro" José Saramago sobre o Twitter, em entrevista ao Prosa Online
"Não deixemos jamais de explorar/ E o fim de toda exploração/ Será chegar onde começamos/ E conhecer o lugar pela primeira vez."
T.S. Eliot
"Se você fez de seu marido a sua carreira e você perde o seu marido, perde a carreira também."
Maureen Dowd, imperdível pra variar.
"Como viver para sempre? Faça o que gosta e goste do que faz."
Ray Bradbury, 88, em entrevista ao NY Times
"Toda arte é autobiográfica."
Gloria Vanderbilt, 85, a respeito de "Obsessão",
seu novo livro explicitamente erótico
"A vida artística não tem a placidez de um lago suíço."
Sérgio Rodrigues, em um de seus geniais "Sobrescritos"
"Nada nos restou dizer. Vivemos tudo antes que a mão avara nos cortasse ao meio."
um inédito de Thereza Christina Rocque da Motta em seu livro de poemas em andamento, O mais puro amor de Abelardo e Heloísa
"o iídiche pode ser uma língua moribunda mas é a única que eu conheço bem.
O iídiche é minha língua materna e uma mãe nunca está realmente morta." Isaac Bashevis Singer no
Digestivo
"Os livros são tão baratos e tão acessíveis, aparecendo no Kindle em questão de segundos, que a gente termina comprando-os impulsivamente e quase indiscriminadamente." Charles McGrath no NY Times
"Issy, Shem e Shaun adquiriram, com maior ou menor facilidade, perplexidade ou humilhação, a sabedoria prática que se oculta sob o verniz da cultura." Philip Kitcher em Joyce Kaleidoscope - An invitation to Finnegans Wake
"Trata-se a arte de um sentimento acima de todos os outros: ser amado." Walter Kirn em sua autobiografia, resenhada no NY Times
"Ao enterro devem, através de convite formal, comparecer todos que foram aos meus lançamentos de livro: nada mais parecido com um velório do que isso." Zé Rodrix, em seu autonecrológio, escrito em 2004
"Lá, tudo é ordem e calma/ Luxo, beleza e volúpia da alma" Charles Baudelaire, in"Convite à viagem"
"Acho que o ensaio mais pessoal e menos acadêmico tem grandes chances de prosperar no Brasil." Matinas Suzuki, editor da "Serrote", em
entrevista ao "Digestivo"
"Havia outro modo, percebeu Lobo Antunes, de preencher o mundo com novas existências: personagens podiam emergir completamente formados
do cérebro de seu criador, em vez de empreender sua fuga do útero, manchada de sangue." Peter Conrad, em "Médico e paciente",
perfil de António Lobo Antunes na "New Yorker"
"A última palavra em contrafação de histórias." James Joyce, Finnegans Wake [desVelar Finnegan]
"A concisão é a alma da sagacidade." Biz Stone, 35, criador do Twitter, entrevistado por Maureen Dowd, em bem mais de 140 caracteres
"Os três juízes e virtualmente todos que assistiram Susan Boyle no teatro (e provavelmente também no YouTube) estavam inicialmente cegados por arraigados estereótipos de idade, classe, gênero e padrões ocidentais de beleza,
até que o livro dela foi aberto, e todos viram o que havia dentro." Letty Cottin Pogrebin,
escritora feminista, sobre o fenômeno musical da internet: 30 milhões de views and counting
(sobre Al Gore e James Hansen em Uma verdade inconveniente) "A dupla desvia a atenção do público de perigos mais imediatos e sérios para o Planeta." Freeman Dyson, 85, o "herege mais civilizado do mundo" em artigo no NY Times
"Sou assim mesmo: faço artigos em blog que podem virar livro." Reinaldo Azevedo em seu blog
"Agora que somos melhores na observação, podemos dizer que o cérebro de suicidas tem uma aparência péssima." Peter D. Kramer, em depoimento ao NY Times
sobre o suicídio de Nicholas Hughes, filho de Sylvia Plath
"É uma coisa de que eu sinto falta na literatura brasileira contemporânea, trabalhar mais o humor."
Sérgio Rodrigues, em entrevista ao Prosa & Verso
sobre seu novo livro Elza, a garota
"Essas emoções em outra pessoa se dissipariam com o tempo, mas no caso de Sylvia eram escritas no momento de intensidade para se tornarem indeléveis como um epitáfio gravado numa lápide." Aurélia Schober Plath, mãe de Sylvia: carta citada em
A poética do Suicídio em Sylvia Plath, de Ana Cecília Carvalho
"Nunca sei o que penso sobre alguma coisa até que eu leia o que escrevi a respeito dela." William Faulkner
"Encare o Ulysses de Joyce como um pastor batista analfabeto encara o Velho Testamento: com fé." William Faulkner
"É um homem sozinho, a canção diz, durante o dia é farmacêutico, mas gostaria mesmo de ser escritor." Joca Reiners Terron em seu blog Sorte & Azar S/A
"Quem assim sabe rimar, ordena o mundo como um jardineiro." Mia Couto em O fio das missangas
"Persistir na literatura é um milagre. Você depende da bondade de tantos para continuar escrevendo, de amigos, da mãe, do pai, dos amores, e de todo mundo." Nélida Pinõn em entrevista ao Prosa Online
"Escute, cara, a maioria de nós provavelmente concorda que as coisas estão pretas, e burras, mas será mesmo que precisamos de uma ficção que nada faz além de dramatizar quão pretas e burras as coisas estão? "David Foster Wallace
"Deixe-me viver, amar, e dizê-lo bem em boas frases." Sylvia Plath, em The Bell Jar
"Bem, não importa. Somos feios, mas temos a música."
De Janis Joplin, por Leonard Cohen (oprimidos pelas formas da beleza): Chelsea Hotel
"A melhor maneira de explicar uma obra de arte é com outra obra de arte."
Roberta Smith, sobre Edvard Munch, no New York Times
"Todos escreveram livros. É a mais recente doença dos poderosos e bem-nascidos. Na verdade eles não querem escrever, mas querem ser escritores. Querem ver seu nome na capa de um livro."
V.S. Naipaul em Meia vida
"Todo mundo precisa de editor."
Lúcia Guimarães, em entrevista ao Digestivo, que não linka pra nós
"Tenho certeza de que os blogs serão para a literatura o que os campos de várzea foram para o nosso futebol. Parece pouco, mas pergunte onde é que todos os craques brasileiros começaram a jogar. E quem pensa que existe muita diferença entre escrever e bater bola, está redondamente enganado (sem trocadilho). Num jogo como noutro, só se aprende suando a camisa."
Paulo Markun (do site de Mario Prata, em 2004)
"A partir de hoje, a gente se levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima para reconstruir a America."
Barack H. Obama, discurso de posse (tradução livre)
"Quem divide a vida com grandes criadores sabe que o personagem jamais lhe pertencerá inteiramente" do blog do Paulo Roberto Pires
"
A mente é claramente um produto do cérebro, e velhas noções de almas e espíritos vem soando cada vez mais absurdas, mesmo assim... são ideias quase universais, entranhadas em racionalizações sobre a vida após a morte, derradeira recompensa e castigo, e em nossos conceitos do existir." P.Z.Myers, biólogo
"The edge", 2009
"Leonardo sempre teve uma propensão a escolher a liberdade. O problema é que não aceitava bem o preço de ser livre." Arnaldo Bloch, em "Os irmãos Karamabloch"
"John, George e eu costumávamos colocar anúncios pessoais no Mersey Beat, um jornal de Liverpool, só para ver nossas palavras publicadas, sabe?" Paul McCartney
"Quem aceita menos do que merece, acaba aceitando menos ainda." Maureen Dowd, colunista do NY Times
"Enquanto houver bambu, tem flecha." Evandro Mesquita, da eterna Blitz "A literatura de natureza confessional está ganhando espaço." Cristóvão Tezza, grande premiado do ano com
"O filho eterno"
"O homem sábio não fornece as verdadeiras respostas; faz as verdadeiras perguntas" Claude Levi-Strauss, 100 anos hoje (28/11/08)
"Um escritor precisa ganhar dinheiro para que possa viver e escrever, mas não deve de forma alguma viver e escrever para ganhar dinheiro." Karl Marx
"Ser na vida comum e normal, como um burguês, para ser no trabalho violento e original." Gustave Flaubert
"À sua meia-irmã permitia a leitura de jornais, mesmo assim com pelo menos um mês de atraso: sem poder destruidor, poéticos já." Thomas Bernhard, Perturbação
"Não acredito em Deus mas sinto falta dele" Julian Barnes
"Nenhum inverno arrancará/ as sementes de seu seio/ Permanecerão imóveis/ esperando a primavera." Thereza Christina Rocque da Motta, Lilacs/Lilases, 2003
"Uma coisa boa de começar mais tarde é que o que os outros vão achar ou deixar de achar, nessa altura da minha vida, não me importa." Antonia Mayrink Veiga Frering, ex-socialite acusada de estar brincando de atriz na próxima novela da Globo
"A falar por falar, preferia o silêncio. Ou o riso de si mesmo — que é a forma mais bela de desnudar-se." José Castello, sobre Jonathan Swift
"A possibilidade de lutar com palavras, em vez de lutar com armas, constitui o fundamento da nossa civilização." Karl Popper, no livro de citações de Eduardo Gianetti
"Dez mil pessoas chamando um cachorro de vaca não faz do cachorro uma vaca."
Alan Sklar d'après Abraham Lincoln, em Tzadik
"Eu sou um homem de dores públicas. Oculto só os meus gozos, mas até onde eles podem ocultar. Agora eu peço licença, mineiros, para vos informar de meus gozos e minhas dores."
Rubem Braga
"O bom artista acredita que ninguém é bom o bastante para lhe dar conselhos." William Faulkner
"Só um bobo ri do que não tem graça." Jean Dominique Bauby
Ano novo, site novo
Caríssimos,
Há 6 anos, em agosto, quando voltei com Alan dos Estados Unidos, recém-amarrada, com um notebook na mão e um desejo na cabeça, um amigo me sugeriu que eu começasse um blog.
— Blog? O que é isso?
O resto é história. Foram até hoje 2050 posts e 5 livros de crônicas, primeiro só aqui, depois dividindo o aluguel com o Porque a gente é assim e o Crônicas da KBR, ah, pois é, agora tem a KBR também.
O caso é que ralando, ralando, virei gente grande: serão 8 livros em março.
Noga agora já não Bloga: escreve de verdade.
E por isso os convido pra compartilhar comigo minha nova aventura, de site novo e tudo.
O Noga Bloga fica, aqui, para sempre, um testemunho e uma memória dos passos que trilhei em direção à maturidade literária.
“Deus às vezes tem muito de Blanche DuBois: é dependente da bondade de estranhos…”
Declaração do rabino no velho filme "Tenha fé", que muito a propósito assisti na TV
Meu irmão mais novo é uma pessoa boníssima, um bônus, se considerarmos sua inteligência, dedicação, capacidade de trabalho, tudo o que o torna um sujeito bem-sucedido e pai de família excelente. Teve e tem seus perrengues como todo mundo, alguns que ele conta e outros que não, nem pra mim, que sou sua única irmã. Meu irmão merece tudo. E tem.
Zila, uma das enfermeiras de mamãe, é uma pessoa boníssima. Sempre digo que as pessoas que se dedicam a esse tipo de trabalho são especiais, têm um algo a mais; embora sejam razoavelmente bem remuneradas, nada justifica o amor àquele paciente por vezes endemoninhado, intratável e agressivo, substituindo, e com vantagem, os familiares incapazes de tal tratamento, digo, de amar assim, doar-se assim, assim eclipsar-se de qualquer julgamento junto à pessoa querida que já não reconhecem mais, porque, cá entre nós, não a encontram mais. Zila e Fátima merecem tudo. Nem sempre têm.
“Mas Thanksgiving é uma festa religiosa, Alan?”, pergunto ao meu marido americano de sete anos, que me encomendou para este novembro um jantar especial. Tá certo. Mútuas ameaças de morte à parte, ele merece. Em algumas ocasiões, como o Dia de Ação de Graças e o 4 de julho, por exemplo, ele fica tristinho, coitado, acabrunhado, com saudade dos filhos — é o que ele diz, mas tenho pra mim que é mais por causa da comida, mesmo: o indefectível churrasco público da Independência, que não dá pra substituir pela feijoada de sábado nem por decreto… e o peru de Thanksgiving, com purê de batatas e cenouras carameladas, tá bom, não custa nada, vai. Tudo pra me redimir do meu endêmico esquecimento, nunca me lembro nem de Valentine’s, imaginem do Dia de Ação de Graças, para mim como um outro qualquer, é a tal idiossincrasia cultural, sabem como é.
Ok. Sete anos esta semana que Alan e eu nos encontramos pela internet, jogadas de Hierosgamos e tudo o mais, muitas crônicas, livros e depoimentos compartilhados, ah, quase enjoei: sete é conta de mentiroso, ou é ano de crise emocional, digam aí vocês. Mas a coisa interessante disso tudo, vamos combinar, é ver como ao longo dos anos os fatos não mudam, mas minha visão sobre eles, sim. Radicalmente. E hoje, particularmente, o mundo anda tão perturbado e demente que não sobra tempo para nossos comezinhos relatos de encontro e conflitos deprimentes, que espaço seria dedicado às circunvoluções de nossos umbiguinhos num mundo em constante ebulição como o nosso? Nem Proust, honestamente.
Não sei se foi por todo o gênero aracnídeo ter se ofendido com meu comentário paulista, digo, na Paulista, onde a uns meses atrás, sem grandes sensibilidades de artista, enfiei tudo que é ultrapassado e derrotista na mesma teia fatalista… Terei comido alguma mosca, eu? Francamente.
Pois hoje a mosca sou eu, e sendo comida, imaginem. E não se trata daquela mosquinha curiosa que qualquer expoente do ramo daria tudo pra ter sido nesta madrugada de domingo, vamos combinar, voejando para especular o que acontece de fato por trás das telas sensacionalistas, enquanto a nossa polícia, bota aspas, pacifica, fecha aspas, a mais importante das favelas cariocas — aquela, que no início de minha carreira de cronista eu via de todas as janelas do apartamento em guerra constante sendo combatida, sem excluir a bala perdida, claro.
A coisa é tão importante que pela primeira vez neste blog, ops, livro, deixei para escrever a crônica no calor dos acontecimentos do próprio domingo, nada da já enjoada ficção mofada das sextas-feiras.
Se tem uma coisa que me interessou, e está me interessando, nessa biografia autorizada de Steve Jobs que estou lendo, não é, certamente, a bipolaridade mais amplamente festejada das várias últimas gerações — pois é, imaginem, com toda a propagada prepotência, o guru da era conectada permitiu a uma terceira parte interessada mostrar ao mundo quem realmente era a mente por trás da pecaminosa mordida do conhecimento, isto é, da maçã, já sem a carga do pecado —, um merda ou um gênio? E a que preço?
A gente descobre, depois de algumas poucas páginas tediosas recheadas de detalhes para geeks que parecem não terminar nunca — merda, mais um travessão: Jobs não era exatamente um versado em tecnologia, mas um gênio da mercadologia, marketing, para os íntimos, ao contrário de Bill Gates, um nerd típico cujo maior defeito é nunca ter se drogado realmente, digo, nunca ter deixado a consciência esvair-se num patamar mais elevado do que normalmente (é o que eles dizem) —, que se trata na verdade da história empolgante de como uma mente delirante, ao decidir apagar do entorno de si qualquer detalhe prejudicial ao seu projeto mirabolante, por mais concreto que este impasse seja, consegue mesmo materializar o que antes existia somente em seu mundo imaginário, é isso aí.
O coelho capota em seus pesadelos. O coelho capota em seus pesadelos. O coelho capota.
Marcelo Mirisola, Charque
Taí. Alguma vantagem tinha que ter esta vida de editora, dura, porém, muitas vezes compensadora, gente, eu rimo, sim, mas não é por mal. É pro bem, bem de quem não tem (aptidão pra rimar, sabem como é).
Eu rimo, e conto pra vocês por que: primeiro, claro, porque assim me ocorre, flui, e quem segue o fluxo não morre (ui); segundo, porque, vocês sabem, embora eu renegue o fato, e o seguirei renegando até o último suspiro, sou bruxa, e todo encanto cravado, para alguns, feitiço armado, baseia-se numa premissa muito simples: a rima. Podem conferir.
Dilminha reclamou. Obama aprovou. Hillary adorou. E eu… Bem. Entre os três meu coração balança. Não cai por nenhum.
Nossa Dilma, todo mundo sabe, tem que honrar, custe o que custar, a espúria tradição de poder petista, afinal de contas Lula já tinha afagado em público o facínora agora morto lhe apertando a mão, a mão suja, suja de sangue, digo. Do sangue sabe-se lá de quantos milhares de inocentes, alguns deles reconhecidos devidamente, e com o maior orgulho demente. Francamente. Nunca pude engolir, mal consigo pronunciar seu nome: falo daquele atentado absurdo em Lockerbie, Escócia, que inaugurou na década de 1980 a nova maldição a bordo de um avião — uma guerra suja também, imunda, sentença de morte contra cidadãos americanos sem culpa nenhuma que conheceria seu auge poucos anos depois pra todo mundo ver. Ao vivo. E pela tevê.
Alan chega para o café vestido de moleton da cabeça aos pés: malha de manga comprida, calça também comprida e meias, sei lá por que, nem no auge do inverno ele gosta de se vestir. Vou logo criticando o figurino incomum, eu critico tudo, certo, mas estamos em meados de outubro e o horário de verão acaba de começar, é o Hemisfério Sul, sabia, querido? Ele não quer saber, não é o calendário que lhe diz como viver, sentiu frio e pronto, eu que sou menopausada que me entenda com as minhas camisetas molhadas, e tome de aquecimento em nosso quarto, pô, peraí.
A pergunta está em todo lugar, basta se ligar: “Como o incrível Steve Jobs marcou sua vida?”
Pois é. Steve Jobs faleceu recentemente e eu também gostaria de comentar, de ter uma homenagem sincera para prestar, mas estou perdida, desesperada com dois ou três vídeos gravados ao vivo no meu tablet espetacular, que não consigo de jeito nenhum tirar de lá, burra, eu, enquanto procuro frenética na web um santo driver para baixar… Meu Deus, não consigo fazer essa coisa funcionar!
É, vamos combinar, coisa demais pra me preocupar; chego à conclusão de que, se é pra marcar, Jeff Bezos, com a complexa simplicidade em tudo que ele nos traz, me marcou muito mais. Steve Jobs mudou o mundo, mas foi a invenção do Kindle que mudou o meu mundo. O resto ficou complicado demais, e se complica cada vez mais.
Alan sentado à mesa de jantar discorre longamente sobre a morte do homem condenado por seu apego ao chip de computador, segundo ele fim inevitável, pra dizer o mínimo, de nossa vã civilização conectada, a toques de vírus que a custo sobrevivem dentro do cérebro de alguma lagarta da qual se alimentam até que a matam, simbiose perfeita, enquanto a minha mente rarefeita se solta e vagueia à revelia do timbre de voz — impositivo e titubeante em um só movimento — que me condena, permeia, é, já amei este homem, amo ainda, quem sabe, mas ando exigente, intrépida, em ponto de fuga.
Pois é. Essa mania de pública vivência nos engessa a vida, cá entre nós. Como confessar um delírio que por si já nos intimida, e ainda por cima confessá-lo assim, cândida e globalmente?
Acabo de receber um convite para o jantar anual de Rosh Hashaná (ano novo judaico) em família na próxima quarta-feira. Não pretendo comparecer.
Estou muito ocupada para ir ao Rio, uma premissa, claro, já de antemão equivocada, pois o objetivo primário de qualquer ato litúrgico, ou data tradicionalmente festejada — da mais singela, como o domingo (no caso judaico, já que estamos falando nele, o sábado), à mais sagrada, como o Yom Kipur aí do título —, é justamente este: nos tirar da rotina massacrante, do hábito prejudicial e impactante de fugir dos problemas, dos prazeres, dos questionamentos, do que for que nos mergulhe num cotidiano mais desafiante, nos entupindo de coisas para ter e fazer, ufa. Já cansei só de escrever.
Pois é. Toda crise tem multifacetados lados, todos borrados, como um falso brilhante nublado em cujo bojo quebrado já não se reflete nenhuma luz, que bela oportunidade para um colapso tenebroso, hein?
Vai daí que percebi, um pouco tardiamente como sempre costuma acontecer, que tinha entrado num redemoinho ascendente daqueles que carregam a gente sem que haja defesa contra tantos possíveis destinos deprimentes, um país das maravilhas bem ao contrário de todos os sonhos de Alice, sabem como é. A gente se vê demente, sob o jugo de paradoxos doentes.
Reconheço. Nem todas as drogas em uso no mercado estão catalogadas como produto de cuidadosas reações químicas quantificadas, pois é: algumas delas se reproduzem vorazmente como descontroladas combinações, lucubrações detrimentais contra as quais mal se defende a consciência esperta, pobres de nós, banais.
Mal amanhece o domingo de sol (se estiver chovendo, por favor, não liguem: todo mundo sabe que escrevo esta crônica às sextas-feiras) e já vou recebendo a primeira chapuletada do dia, antes mesmo de sair da cama e com os olhos ainda semicerrados, sonolentos: “Ah, é domingo, dia de perder tempo com o seu ego inútil escrevendo aquele monte de besteiras que ninguém quer ler.”
Pois é. Fala-se muito na mídia das crises hormonais de toda mulher, coitadas de nós, fala sério: entra conquista e sai conquista, continuamos sendo vistas como mera gangorra emocional — TPM, menopausa e algum outro bicho-papão de que se possa ter notícia futuramente —, para além de nosso (im)possível e falho controle mental, fazer o quê. Sábias, caladas e contritas por hábito e educação, fazemos de nossos problemas o tema de nossa tediosa expressão primordial — para os íntimos, a mais que vilipendiada “literatura mulherzinha”, vida mulherzinha, é isso aí.
Estamos subindo a serra de volta do Rio. Já é noite, a estrada coalhada de caminhões gigantescos. Um deles leva na carroceria dois outros caminhões gigantescos, dando à longa sequência de luzes uma atmosfera pesada, opressiva. De pesadelo. Estou tensa, devo confessar. Passando em revista os últimos e intensos dois dias fora do nosso paraíso habitual, do banco do carona Alan sugere que eu comece ali mesmo a escrever o meu “livro de minutos”, mas como? Que livro? E ainda por cima dirigindo, sem computador, papel ou caneta?
O resto, aqui.