Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Sklar

Noga Bloga recomenda:



Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
O livro não é só o que escrevo, mas o que se passa à minha volta enquanto escrevo.
José Castello, em entrevista ao Prosa Online sobre seu novo romance, Ribamar





How Brazilian of you!

A America inicia hoje sua volta a Deus.
Glenn Beck

Caros, peço desculpas pela insistência no tema, tão irrelevante, ao que parece, para a nação brasileira, mas vendo o sucesso retumbante de Palin, Beck e companhia no evento de hoje em Washington DC — a que Alan assiste no andar de baixo enquanto eu trabalho, ao vivo e em cores e sem fones de ouvido, com hinos em coro como se estivessem em guerra e fossem heróis do povo reprimido, argh, ódio, gentinha! — me lembrei desta crônica de há mais ou menos um mês, que não foi publicada antes por ter sido encomendada, é isso mesmo: tudo indicava que pela primeira vez na vida eu iria ser paga para escrever, imaginem, mas dando-se conta da minha verve ofensiva o "cliente" se escafedeu, sumiu, se retraiu, em outras palavras mal contadas: nunca mais deu sinal inteligente de vida. É a vida.
Enquanto isso, cá de minha nova posição privilegiada como editora da KindleBookBr, luto cotidianamente contra meu complexo de pedinte perseguida, que cá entre nós resta morto e enterrado nas frustrações literárias do passado. Bom domingo.

***

O brasileiro é antes de tudo um forte, ou melhor, um povinho de morte. Com toda a canalhice que nos cerca nestes deploráveis tempos petistas, não tivemos nesses oito anos nenhum derramamento catastrófico de petróleo — com exceção, é claro, de alguns vazamentos mixurucas da nossa querida Petrobrás —, não travamos nenhuma guerra perdida no Oriente Médio — embora o nosso presidente bem que tenha tentado, afinal de contas, é tão primeiro mundo isso, não? — e muito menos temos lutado com leis que não passam pelo crivo violentamente oposicionista do congresso nacional. Nem mesmo temos lidado com o desemprego em massa, a inflação em alta e uma crise econômica que não passa, estou me referindo, é claro, aos Estados Unidos.
Agora. Você que é um idealista, mas se decepcionou mortalmente com o Lula mais realista, não se desespere. Pois Lula não é o único estadista dos nossos sonhos mais caros a ter se tornado com o tempo um belo motivo para noites insones. Vejam Obama, por exemplo, o candidato do povo, das minorias, da opção pela justiça, dos peregrinos da paz, dos desiludidos espiritualistas, e ainda fica melhor, dos jovens, dos literatos, dos professores e dos ecologistas: deu no que deu. Tinha razão meu marido Alan, um dos fundadores do movimento hippie e pós-direitista radical. Quanto mais alto a gente sobe, mais vertiginosa é a queda, não é mesmo? Quem não se lembra da grande festa cívica, da onda vermelha do patriotismo que em 2002 quase afogou o Brasil? Taí: tem gente que não dá sorte, mesmo. Melhor esquecer a alegria de uma vez.
Mas o que tem me incomodado de verdade ultimamente é uma crise criativa, uma falta de assunto completa quando o tema favorito é a política. Depois de ter escrito um livro inteirinho sobre a eleição de Obama, eu vinha me armando de marreta e picuinha pra conduzir bravamente nosso admirável calendário partidário-eleitoral, mas qual, acabei nem transferindo o meu título de domicílio, pois é. Mudei. De ideia e de endereço residencial.
No outro dia, por exemplo, conversando com um amigo jornalista, lamentamos a falta de graça da nossa atual sucessão presidencial. Foi quando ele lembrou a falta que nos faz uma boa Sarah Palin local, mas, gente, o que é isso? Se a nossa pitbull de batom é uma Palin legítima, e elevada à enésima potência! E com uma gravíssima diferença: enquanto a deles só fazia, e continua fazendo barulho, a nossa, infelizmente, tem a preferência imbatível do eleitorado, e é aí que mora o perigo.
Haja Deus, caramba. Nem sendo brasileiro ele vai dar um jeito nisso.

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How Brazilian of you!

A America inicia hoje sua volta a Deus.
Glenn Beck

Caros, peço desculpas pela insistência no tema, tão irrelevante, ao que parece, para a nação brasileira, mas vendo o sucesso retumbante de Palin, Beck e companhia no evento de hoje em Washington DC — a que Alan assiste no andar de baixo enquanto eu trabalho, ao vivo e em cores e sem fones de ouvido, com hinos em coro como se estivessem em guerra e fossem heróis do povo reprimido, argh, ódio, gentinha! — me lembrei desta crônica de há mais ou menos um mês, que não foi publicada antes por ter sido encomendada, é isso mesmo: tudo indicava que pela primeira vez na vida eu iria ser paga para escrever, imaginem, mas dando-se conta da minha verve ofensiva o "cliente" se escafedeu, sumiu, se retraiu, em outras palavras mal contadas: nunca mais deu sinal inteligente de vida. É a vida.
Enquanto isso, cá de minha nova posição privilegiada como editora da KindleBookBr, luto cotidianamente contra meu complexo de pedinte perseguida, que cá entre nós resta morto e enterrado nas frustrações do passado. Bom domingo.

***

O brasileiro é antes de tudo um forte, ou melhor, um povinho de morte. Com toda a canalhice que nos cerca nestes deploráveis tempos petistas, não tivemos nesses oito anos nenhum derramamento catastrófico de petróleo — com exceção, é claro, de alguns vazamentos mixas da nossa querida Petrobrás —, não travamos nenhuma guerra perdida no Oriente Médio — embora o nosso presidente bem que tenha tentado, afinal de contas, é tão primeiro mundo isso, não? — e muito menos temos lutado com leis que não passam pelo crivo violentamente oposicionista do congresso nacional. Nem mesmo temos lidado com o desemprego em massa, a inflação em alta e uma crise econômica que não passa, estou me referindo, é claro, aos Estados Unidos.
Agora. Você que é um idealista, mas se decepcionou mortalmente com o Lula mais realista, não se desespere. Pois Lula não é o único estadista dos nossos sonhos mais caros a ter se tornado com o tempo um belo motivo para noites insones. Vejam Obama, por exemplo, o candidato do povo, das minorias, da opção pela justiça, dos peregrinos da paz, dos desiludidos espiritualistas, e ainda fica melhor, dos jovens, dos literatos, dos professores e dos ecologistas: deu no que deu. Tinha razão meu marido Alan, um dos fundadores do movimento hippie e pós-direitista radical. Quanto mais alto a gente sobe, mais vertiginosa é a queda, não é mesmo? Quem não se lembra da grande festa cívica, da onda vermelha do patriotismo que em 2002 quase afogou o Brasil? Taí: tem gente que não dá sorte, mesmo. Melhor esquecer a alegria de uma vez.
Mas o que tem me incomodado de verdade ultimamente é uma crise criativa, uma falta de assunto completa quando o tema favorito é a política. Depois de ter escrito um livro inteirinho sobre a eleição de Obama, eu vinha me armando de marreta e picuinha pra conduzir heroicamente nosso admirável calendário partidário-eleitoral, mas qual, acabei nem transferindo o meu título de domicílio, pois é. Mudei. De ideia e de endereço residencial.
No outro dia, por exemplo, conversando com um amigo jornalista, lamentamos a falta de graça da nossa atual sucessão presidencial. Foi quando ele lembrou a falta que nos faz uma boa Sarah Palin local, mas, gente, o que é isso? Se a nossa pitbull de batom é uma Palin legítima, e elevada à enésima potência! E com uma gravíssima diferença: enquanto a deles só fazia barulho, a nossa, infelizmente, tem a preferência imbatível do eleitor, e é aí que mora o perigo.
Haja Deus, caramba. Nem sendo brasileiro ele vai dar um jeito nisso.

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Fotoshop para presidentes

Tudo nesta vida, vocês sabem, tem dois pesos e duas medidas. Ou muito mais do que isso.
O caso é que me pego entendendo que a coisa funciona assim até mesmo para mim, imaginem, que tenho de mim mesma a imagem irretocável de uma intelectual de butique, sabem como é: justa, sensata, levemente informada e... impermeável a discussões realistas.
Pois esta criatura brilhante e criativa, como gosto de me descrever, não consegue entender atualmente o povo brasileiro e seu mito indestrutível, o Arquipresidente Lula, enquanto ao mesmo tempo intimamente, lá no fundinho de seu coração premente, hesita em aceitar a realidade evidente quando se trata da derrocada iminente, ufa, de seu próprio ídolo recentemente empostado: o ex-messias, ex-enviado, ex-salvador da pátria e do globo, o fracassado emissário do bem planetário Barack Obama.
A meteórica ascensão de Obama, vamos combinar, foi mais excitante ainda, e portanto mais ilusória e enganosa ainda — por seu alcance internacional, uma contaminação idealista a nível global —, do que a custosa campanha de Lula nos idos saudosos de 2002, alguém aí se lembra da incrível festa vermelha cívica? Eu sim. Naquele dia, confesso, tendo ido contra a corrente eleitoral engajada de meus melhores amigos, me arrependi de ter feito isso, isto é, votado do contra no tímido e desprovido de carisma candidato da situação, José Serra, sim, um derrotismo carente, uma vontade demente de fazer parte da empolgação corrente. Sim. Eu votei em José Serra para presidente.
Mas nada como o tempo, meus amigos, pra que a verdade apareça, pra que se revele a rotina sem graça daqueles que fazem a história realmente. Menos no Brasil, é claro.
Enquanto nos Estados Unidos as carapuças caem e os envergonhados se retraem, retratando-se em público de seu mau passo recente — um mau passo muito bem-intencionado, naturalmente —, aqui tudo se processa de forma diferente: não há escândalo político, corrupção aparente, vexames evidentes que mostrem ao povo quem é realmente o presidente Lula, coisa que nós, da oposição, obviamente sempre soubemos, coisa boa provar-se profeta finalmente, hein?
Que nada, gente. E botando pra fora a melhor cassandra de que disponho atualmente, vou logo avisando: Dilma é coisa muito diferente. Não só falta a ela o carisma populista de nosso eterno herói-presidente, como vislumbro nas dobras discretas de seu botox insistente uma vontade latente de... botar pra fora suas tendências meio assim, digamos, totalitaristas. Que nós na América Latina, aparentemente, ainda aceitamos de bom grado, na contramão do mundo conectado, da nova democracia global sem fio. Dilma mente. E a rede livre de informações a desmente, mas quem liga?
Ah, tudo bem. Eu entendo muito bem. Afinal de contas, por mais que a realidade me convença, ainda estou firme no apoio a Obama, com uma fidelidade de adolescente. Nada como um santo idolatrado, no altar diário de nossas íntimas carências, pra nos proteger de nossos problemas mais urgentes.
Pois é. Me confesso entediada com a falta de um candidato a presidente acima de quaisquer suspeitas políticas. De que adianta votar consciente? Eleição hoje em dia é que nem casamento na internet, vocês me entendem. Pura loteria. Mesmo assim, recomenda-se escolher com possíveis cuidados, e evitar candidatos de histórico duvidoso no mercado.
E Dilma é isso exatamente: uma foto caprichada, espichada e profissionalmente muito bem fotoshopada pra convencer nosso solitário eleitor incipiente. Você não vai querer cair nessa, não é mesmo? Não anule a validade do seu voto, vai. É nosso futuro que vai aí à frente.

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Feliz aniversário, doutor

Acabo de ler no Publishnews dessa quinta: "Polêmico e irreverente, o psiquiatra José Angelo Gaiarsa completa hoje 90 anos. Paulista de Santo André, formado pela Faculdade de Medicina da USP em 1946, já publicou mais de 30 livros. Em 2006, quando fez 50 anos de atividade profissional, lançou a obra comemorativa Meio século de psicoterapia verbal e corporal, pela Editora Ágora."

O que o doutor não sabe é que, além desta bibliografia autorizada, muitas de suas ovelhas desgarradas têm escrito na encolha, festejando as suas escolhas. E é coisa de família, não se espantem ao constatar isso.
Vejam por exemplo, trecho da crônica de autoria desta que vos fala, publicada no "Hoje não quero chorar", em quinto lugar na lista de best-sellers desta semana na Livraria Cultura — categoria ebook, claro — cante aí pra subir pra primeiro, vai, pedir não custa: são só 12 reais. Divirtam-se. Divirta-se, Ângelo querido. Afinal de contas, você sabe e merece se divertir.

Pois esta beleza de homem me fez sofrer um bocado. Em meus primeiros meses de casada, eu me sentia tonta, perdida, numa superquadra qualquer do Planalto Central. Ao fim da tarde, tinha que estar linda esperando marido, bem vestida, maquiada; até as unhas de vermelho, imaginem, eu pintava naquela época. Não era eu. Era outra que me invadira, e para se vingar, não tardou a engordar.
Não deu outra. Meu
darling husband me deu um pé na bunda por causa da celulite lá mesmo:
— Sai da minha casa. Não gosto mais de você.
Cachorro. Para me consolar, sair do buraco em que havia caído, procurei um analista, e mesmo sem conhecer ninguém na cidade, dei sorte: me apresentaram o Paulo, filho daquele outro também psicanalista, o Famoso Ângelo Transgressor.

(gente! esta eu juro que foi sem querer! olhem a sigla: F. A. T., a musa está de excelente humor, ela adora as sextas-feiras).

Nos meus tempos de esotérica, nas famosas maratonas de fins de semana na Posse, a gente adorava o Gaiarsão, não porque fosse gordo, não, nada disso. É que ele era ousado à beça, mesmo para os nossos padrões já bem fora de padrão.
Tinha o hábito bastante incensado de se deitar nu ao lado das pacientes e, de mansinho, de mansinho... comê-las. Uau. Uma cura completa. Quando o conheci ele andava calminho, tinha se casado com uma das felizardas e, apesar de titular do workshop, pouco aparecia na sala.
Eram essas as credenciais do Paulo: genéticas. Gente, o Paulo era fofo. Literalmente. Quando cheguei ao consultório encontrei aquele cara grande, de gola rulê preta, com um ventre redondo, o oposto exato de meu elegantíssimo companheiro.
Ele me abraçou, nossa, como foi gostoso aquilo. Fiquei com tara de barriga masculina. Se ele quisesse, eu daria pra ele ali mesmo, na primeira consulta, mas ele não era o pai. Tinha técnicas diferentes.
Sou grata demais a ele, e nunca declarei isso: Paulo salvou a minha vida, sério. Foi me mostrando aos poucos a arapuca em que eu estava metida. Não deu dois meses, e eu tinha deixado para sempre a casa de M., a casa da morte, como escrevi num poema. Me hospedei na pousada
rajneesh em Brasília, onde P.G. dava consultas, e no dia seguinte cheguei à sessão sem bolsa, carregando apenas a chave do quarto.
— Ué, já se mudou pra cá?
— Mudei. Me livrei do câncer.

E tenho estado livre desde então. Feliz aniversário, doutor. Sua liberdade de ação foi mesmo um presentão.

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Desgraça pouca

Uma das piores consequências para o mundo em geral da decepção internacional com a medíocre atuação real de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos, ufa, é a total e fatal perda de graça de Maureen Dowd, minha (ex-)colunista favorita.
Imagino o constrangimento da coitada. Afinal de contas, a mulher foi com tudo, de almas e aparagens, no endosso ao maior e mais grave engodo new age da atualidade, nossa, e não fez isso num moquifo de interior escondido no coração de um país terceiromundista, não, gente, nem muito menos num blog quase nunca lido, ou num livro que custa a ser vendido: foi nas páginas da frente do New York Times, mesmo. Como tanta gente boa que a gente pensa que conhece, sabem como é.
Eu daqui do meu cantinho tenho hesitado um bocado, confesso, em ser forçada a aceitar isso, entender que é bem mais sério que simples birra de marido. Tudo bem que é preciso dar tempo ao tempo, ter paciência, entender que não é nada fácil cair sem paraquedas, de um sonho idealista, nas garras mortíferas da materialidade realista, mas como presidente, francamente, Obama não perde tempo em dar munição aos mal-intencionados direitistas de plantão. Pra quem custou tanto a ser assunto dos mais cruéis cartunistas, vamos combinar que a atuação política de nosso ídolo amado, descaído e entreguista, nada deixa a desejar.
Pois o depositário (in)fiel de nossas derradeiras esperanças, o canto do cisne de nossas mais doces lembranças de ativistas, dos saudosos e enganosos anos drogados de 1960 — nossa, quanta amargura — tem sido, no mínimo, um fraco e um indeciso, e no máximo um típico escroque neo-esquerdista, deus que nos livre disso. Uma praga existencialista.
Mas o problema de Dowd, cá entre nós, passa bem longe de tudo isso, e como cronista quase aposentada (não por falta de desejo e nem de assunto, mas por falta de tempo, mesmo), com a crescente prática mal paga na salvação de textos que sem mim, não custa lembrar, iriam parar no lixo, já fui logo diagnosticando: falta à minha triste colega a imbatível capacidade de fazer troça de si mesma.
Ainda morro disso, seca e encolhida. Ainda bem que em disputa eleitoral no Brasil não tenho metido o meu nariz entupido.

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Nosso Patrick Swayze

— me movimento bem: um animal gracioso e dançante, humano inteligente, capaz de harmonia. ainda posso fazer spaccattos, mas não como os teus.
— sou flexível, certo... bem mais que a média... mas pra homem é diferente... a não ser que você seja um nureyev.
— pois sou.
— mas ele era gay!
— oh! então cancela tudo...


do Hierosgamos, de Noga Sklar


Soube ontem à noite por minha cunhada que meu velho professor de ginástica havia morrido — velho, em termos: mais novo que eu, teria pouco mais de cinquenta se estivesse vivo, nossa, fiquei triste —, Carlos Roberto Duarte ou algo assim: seu nome talvez passasse despercebido num anúncio fúnebre de jornal. Para nós, era Carlão e pronto.
Grande Carlão. Literalmente. Mais de um metro e noventa numa proporção perfeita, sem a cabeça pequena característica dos quase-gigantes da raça, corpo de atleta. Moreno. Bonito. Olhos verdes miúdos de menino e uma elasticidade, uma leveza de dar inveja a qualquer bailarino, quase um Nureyev local, melhor: um Patrick Swayze.
Antes da febre da malhação tomar conta do Rio, quem gostava de exercitar-se todo dia tinha duas opções relevantes, não mais que isso: Paulinho Cintura, o "matador" da Barata Ribeiro, e nosso Carlão, o artista.
Conheci o Carlão por puro acaso, estagiando na Ruy Medina, academia que eu frequentava ao lado do escritório, em Ipanema, recém-formada em arquitetura em 1976. O Ruy nos pediu que o avaliássemos numa aula, e foi um grude à primeira vista. A partir dali, tornei-me uma seguidora fiel: seguiram-se 20 anos de Carlão onde quer ele estivesse, quase uma religião. Em vez de escolher uma academia perto de casa, escolhia uma casa perto da academia, sabem como é.
No dia de meu primeiro casamento eu estava lá, com o noivo e tudo na primeira fila, no salão do Intercontinental, depois de uma breve corrida. Eram duas aulas por dia, seguidas de um lauto café da manhã no restaurante do hotel para repor as calorias perdidas e mais algumas, claro, uma festa.
— Mas você não se casa hoje à noite? Por que não está em casa se arrumando?
— Muito ansiosa, se não malhar primeiro, não consigo.
Quando o casamento se desfez, Carlão já tinha a sua própria academia, onde eu era "primeira bailarina": aquela beata que fica na frente e demonstra todos os movimentos do mestre para as menos favorecidas. Esteve na Gávea, onde tive um apartamento, depois em São Conrado, onde tive outro, passando pelo Leblon. E eu junto.
O casamento seguinte me pegou nas melhores instalações que ele teve, a grande HP, no início da Marques de São Vicente, com uma maravilhosa aula de alongamento às sextas-feiras, antes da feira na Praça Santos Dumont. Ali, por motivos que já não lembro, eu havia sido relegada ao segundo posto de honra, à direita de Marina, com Odete do outro lado: o trio de ouro, engraçado como eu valorizava isso... Era a coisa mais importante na minha vida! Que deixei para trás, como tantas outras, quando fui pra Brasília atrás do segundo marido, um desconhecido que havia encontrado na internet: um desastre ritual testemunhado em seu excitante início pela turma da ginástica em peso, Carlão de terno branco, imponente, lindo. Foi quando o vi pela última vez.
Egressa de Matheus, não quis voltar para a academia. Tinha vergonha do fracasso conjugal. Esperei, gorda, largada e envelhecida, até que a depressão me permitisse uma saída, e quando ela veio, optei pela Pro-Forma do Leblon, onde tive uma breve recaída nas aulas de step do Eppa, um tremendo desafio em frenético movimento.
Achacado pelo crescente equipamento obrigatório nos clubes tediosos de hoje em dia, templos mecânicos de malhação onde não cabem as incríveis coreografias de nossas áureas sessões, Carlão perdeu seu posto de destaque no mercado, engolido pela mesmice dos modismos. Vagou entre um emprego e outro, as ex-alunas tentando ajudá-lo, mas nunca recuperou o brilho antigo. Quem viu, curtiu, quem não viu, nunca soube como era bom.
Hoje em dia, morando e caminhando no mato morro acima, confesso: não sinto falta nenhuma dos agitos de academia, tinha esquecido que isso existia... até ontem, com o telefonema da Lia.
— Sabe quem morreu? O Carlão. Foi câncer no pâncreas, muito rápido. Seis meses e já estava morto. Estava tão magro no final que nem queria que o vissem no hospital. Era casado, mas não tinha filhos. Foi ontem a missa de 7º dia.
Vai-se com ele um estranho capítulo em minha vida, onde eu mesma nada tinha a ver comigo, e nem sabia. Pobre Carlão. Não merecia.

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Fé demais não cheira bem

A fé na punição penal é tão ingênua quanto a divina.
Alexandre Morais da Rosa, best-seller da KindleBookBr com "Jurisdição do Real x Controle Penal"


Pois é. Tô aqui sofrendo outra vez, mas, se deus quiser, será pela última. Ou ainda morro disso. Não há dinheiro que o pague.
Isso, que nem contei pra vocês que no outro dia baixou na minha mesa de conversão um Manual da Jihad para Brasileiros, ou coisa parecida, pode? Quase chamamos a CIA. Recusei na hora, com alguma desculpa esfarrapada, mas agora já está no passado: declaro que não faço, e pronto, em alto e bom som. E ainda declino as minhas claras razões.
Pois depois de ter sido informada que o Amado Bispo, meu líder, pratica sua fé na cadeira do dentista dispensando a anestesia (porque o Deus dos Exércitos, vocês sabem, nos fez para suportar a dor e a batalha em nossas vidas), e de ter suportado o ataque evangélico ao Estado de Israel, inadmissível, incongruente no contexto — é como vomitar no prato em que se comeu, já que todos os livros que dão tanto dinheiro a ele se baseiam na história bíblica... do "povo de Israel", com as mais malucas interpretações, ops, extrapolações possíveis —, ah, o contexto, num português tão estropiado que é quase impossível fazer valer o escrito, ufa, finalmente vou entender como os emaranhados retóricos deste santo homem com a política, corrupção e justiça prenunciaram um milagre em sua vida à altura do nascimento de Isaque na Bíblia.
Só rindo*, confiram: "Uma grande visitação, normalmente, é gestada num período de grande opróbrio, dor e vergonha." Nem preciso acrescentar que até o fim do livro não se explicou nada, nadinha. Contou-se o santo mas não se comprovou o milagre, sabem como é, como tem sido praxe em Brasília: olha aí o perigo.
Deus castiga quem se mete em briga, ou em disputa política, ou finge que escreve e nem liga. Argh. Tô saindo fora.

*glossário hebraico básico: o nome "Isaque" quer dizer "ela riu", referindo-se à impossibilidade de Sara ter concebido lá pelos cento e pedrada anos de idade, deus pode tudo, vocês sabem, já livrar os desvios de seu Bispo... tsk, tsk. Pobres fiéis. Francamente.

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Encontro com mentes notáveis

Prepare-se. Na sexta, dia 20, às 19h00, no superstand real/virtual Submarino/Gato Sabido, ufa, você vai participar de uma noite histórica que vai marcar a nova revolução do livro.

Mediados pelos passos biocoreográficos do WabiSabi — a performance zen-discreta de Susana Yamauchi, materializada no palco direto das páginas virtuais de Dança Ritual Urbana, ops, falha minha, pois é: livro digital não tem página, sabem como é, custa a gente se acostumar com isso — na arena real da KindleBookBr na Bienal do Livro, duas brilhantes gerações de escritores vão discutir o poder dos prêmios, isto é, do livro. Livro digital, claro.

De um lado, os mais recentes premiados, muito justamente, pelo SESC de Literatura de 2005André de Leones e Lucia Bettencourt — e, de outro, o colossal Marcelo Mirisola, ausência mais sentida nas várias feiras e bienais do livro — não por falta de convite, é claro — e injustiça mais conhecida nos anais dos lauréis oficiais do livro: afinal de contas, escritor que se preza jamais frequenta clubes para os quais é convidado. A coisa vai bombar. Não perca.

E nos bastidores da notícia: Davi dança com Golias uma coreografia provocativa, imaginem: os três autores que a KindleBookBr publica hoje chegaram ao mercado em papel pelas mãos mais do que estabelecidas da Editora Record, mas, por favor, não divulguem nada disso (disse a editora aos jornalistas...), ah, façam como quiserem. A gente agradece.

Autores & livros
Joana a contragosto, de Marcelo Mirisola

Histórias Possíveis, de André de Leones, Lúcia Bettencourt, Nereu Afonso da Silva, Wesley Peres, Maurício Melo Júnior (Programa Leituras, da tv Senado), Leandro Resende, Susana Fuentes, Daniela Mendes, Daniela dos Santos, Dheyne de Souza, Erwin Maack e Gerusa Leal. André e Lúcia venceram o Prêmio SESC de Literatura em 2005, romance e contos respectivamente. Nereu e Wesley o mesmo prêmio em 2006, Wesley na categoria romance e Nereu na categoria contos.

Dança Ritual Urbana e Outros Movimentos, contos do estreante e não menos surpreendente e brilhante Erwin Maack, também curador de Histórias Possíveis

Performance
WabiSabi, com a bailarina e coreógrafa nipo-paulista Susana Yamauchi

Mesa de Debates
André de Leones, Lúcia Bettencourt e Marcelo Mirisola
Noga Sklar e Ricardo Hofstetter farão presença via skype



Quando
Sexta-feira, 20 de agosto, às 19h00

Onde
Stand do Submarino/Gato Sabido na Bienal do Livro de São Paulo

Por quem
KindleBookBr, a primeira e única editora do Brasil 100% dedicada ao livro digital

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Papo mineiro

Mineiro não perde trem. Mas compra, e vende pra paulista.
Dito popular

Pra quem (como eu) quebra a cabeça procurando o gênio oculto de Lula na bela resistência brasileira à crise, encontrei a resposta no Programa do Jô: tava lá o santo e o milagre, José de Alencar com seu papo maneiro, ops, mineiro. Mas com Dilma, não tem essa chance não.
Tem outro dito, esse do Otto: "mineiro só é solidário no câncer". Coitado do Alencar, grande sujeito e eu nunca soube disso.

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Saco de pancada

FHC e Luis Schwarcz em Parati. Já imaginaram Lula lá?
Nunca vi uma personalidade homenageada ser tão publicamente vilipendiada por aqueles que a homenageiam como o pobre Roberto Freire, ops, Gilberto Freyre na Flip. Não sei, gente. Será que não seria o caso de se criticar... a curadoria do evento? Por sua má escolha de tema ou coisa parecida? Coitado do falecido. Francamente. Duvido que merecesse tudo isso.
Começou com Fernando Henrique — cuja erudição eu até respeito e de cuja inteligência tenho sentido a maior saudade, principalmente agora, que temos a chance de recuperar um pouco disso —, resvalou por Moacyr Scliar e agora desembestou de vez com Benjamim Moser, que acusa Freyre na Folha de ser "mal resolvido", bem, o Casa Grande eu não sei, já o Moser...
Ah. Melhor deixar pra lá. Vá pra Holanda que te aceitou, meu amigo, e leva as certezas contigo. Como se 30 mil livros vendidos, e pela Companhia das Letras, quisessem dizer alguma coisa...
Pobre Clarice, nas bocas de Matilde. E a gente ainda paga pra escutar isso.

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Quem te viu...

Gente, não tô aguentando isso, e por razões políticas não posso sair por aí espalhando, então fica aqui discretamente, só no cantinho, pra quem me suporta com carinho:


Christina, pra quem não sabe, é esposa do "mago". Que constrangimento.

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Holografia literária

Encontrei num chaveiro antigo a chave de entrada para a mente iluminada de Erwin Maack, iluminada a laser, claro. Não era um chaveiro qualquer: Faixa de couro debruada nas extremidades, preta, aberta e dividida em três abas. Pelo anverso e no centro, uma barra de metal cravada como cabeçalho, dotada de encaixes para receber cada um dos olhais dos seis ganchos ou anzóis. A curvatura deles forma uma garganta de abertura estreita, cuja ponta, não tendo barbela, mas uma minúscula glande, se volta elegantemente para fora, dispondo-se como amistosa clave para pescar, penetrando o orifício de cada chave que de agora em diante lhe pertence, isto é, pertence ao mistério que existe por trás da riqueza melódica e vocabular deste novo escritor inesperado, uma joia implantada no universo malhado da literatura online à espera de um leitor que a use.
Devido ao cuidado com que cada conto deste livro é concebido e trabalhado, o conceito de joia excede aqui qualquer metáfora: simplesmente reflete o carinho do artesão que se dedica a seu produto, único e duradouro, com seu gosto refinado e uma espécie moderna de especiarias ardidas temperando o texto. Este artesão é Erwin Maack.
Espantada com o inédito conhecimento concentrado na história da chave — cifra e ardil — perguntei a Maack de onde vinha tudo aquilo:
— Ah, é um chaveiro velho que tenho...
Vem certamente, também, da habilidade de contar histórias incríveis, mágicas, transbordantes de conteúdo, que eu julgava perdida nos salões de Harum Al-Rachid: imaginem agora que em vez de Scherazade contando as histórias por mil e uma noites, como se sua vida dependesse disso, estivesse... Jorge Luís Borges. E a referência não é gratuita. Há um background de exotismo oriental misturado a memórias da Bahia numa praia deserta em São Paulo, ao relacionamento fortuito entre amigos, amantes, pai e filho, ao quase nada que move em nós o desejo de preservar a vida, aos relatos humanos que conferem sentido à pequenez cotidiana de nossos rituais de dança, urbanos ou não.
O autor se descreve, modestamente, como um viajante de enciclopédias, mas, francamente, que viagem! Para Erwin Maack, até o ato prosaico de amarrar os sapatos se elabora como prosa poética: Amarrar os sapatos tornou-se agora uma tarefa cuidadosa e demorada, não mais automática. Cria uma escultura instantânea e fugaz dos fios, longitudinais e transversais; cada um forma uma estrutura, o urdume ou urdidura, este último a trama; juntam-se em duas pontas agudas e passam perfeitamente para o outro lado, quando se encontram no laço final. Olha cuidadosamente para o calçado e descobre a alma dele, assim como o atacador. Uma síntese.
Ou nesta descrição do interior de um dirigível alemão prateado, viajando de Manaus a Paris em missão de divulgar para o mundo uma espécie de Kobe Beef — criado a pão-de-ló no interior do Brasil por um João Siqueira qualquer, nobilizado pelo nome holandês comprado, Van der Ley: A atração era um Ardabil com motivos florais, trevos nos cantos e medalhão no centro, lembrando a mesquita das mulheres de Isfahan, Sheik Lotf Allah. A sensual escala de cores, desde o original vermelho profundo passando pelo ouro velho e fosco, salpicada de azuis e verdes, preparava para o branco do fim. O desenho do mestre parecia retratar sensações hoje perdidas.
Em Dança Ritual Urbana e Outros Movimentos os contos se entrelaçam, formam tramas, cada um deles um microcosmo da literatura global em preciosa tessitura, a parte pelo todo, uma bolha colorida de água que se infla em 3D na mente do leitor quando provocada no lazer da leitura: um relato holográfico, com a precisão fotográfica da alta definição, eis aí uma boa descrição do trabalho de Erwin Maack.
O que me lembra meu primeiro, surpreendente contato com a holografia, em 1992. Estávamos, mamãe e eu, na Feira Mundial de Madri, que anunciava bombasticamente os novos recursos da imagem que só se tornaram realidade no ano passado, com o Avatar de James Cameron. Víamos exibições teatrais por todo lado, as imagens incrivelmente transparentes e realistas projetadas a laser, em três dimensões, sobre gramados e lagos. Em determinado momento, nos sentamos em um pequeno teatro onde os personagens, vestidos de branco, se movimentavam no palco. Mamãe se espantou:
— Impressionante, não? Parecem até de verdade!
— Mas, mãe, estes são mesmo atores de verdade...
É o caso de Erwin Maack, um escritor de verdade em meio à confusão virtual carente de realidade em que a mídia contemporânea, a que tanto temos nos acostumado, acaba nos enredando sem que a gente perceba. Recomendo.

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Fogo-fatwa

Rushdie em Parati
Francamente. Se tem alguém que eu gostaria de ser hoje em dia, esse alguém é o presidente Lula, e não, não é que eu esteja virando a casaca novamente, mas, gente. Não há besteira que este homem faça ou diga que o derrube de seu pedestal majestoso de eterna unanimidade no coração do povo. Ufa. Fosse eu, com um centésimo de tanto passo em falso já estaria irremediavelmente falida, esquecida e desterrada para todo o sempre. Lula, não. Continua firme. Não importa o vexame que por causa dele a gente passe.
Nesse caso do apedrejamento, por exemplo. Ou nosso presidente anda mal de assessoria política ou se faz de tonto para angariar simpatia, não é possível. E desta vez a barra pesou mesmo, confiram, pra quem não viu nem ouviu falar, deu no Washington Post de quarta-feira 4, de agosto, claro: “O melhor amigo de tiranos do mundo da democracia —o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva — foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes.” Nossa.
Ou será que Lula não sabia que desse povinho do médio-oriente a gente pode esperar tudo? A fatwa, por exemplo — sentença religiosa fatal para traidores do Islã —, muito antes de a gente cair na rede já desconhecia a geografia: é morte ao infiel onde quer que ele esteja, se é que vocês me entendem. Salman Rushdie, o maravilhoso Salman Rushdie de Os Filhos da Meia-noite, quase teve sua vida destruída por um decreto de seus Versos Satânicos, uma joia de livro, irônico, brilhante e definitivo. Perdeu a mulher, a mobilidade, a liberdade de moradia e a vontade de escrever livros, quem é que apostaria em sobreviver perseguido por uma apostasia dessas?
Ah. Pois é. Mas os fãs eternos do presidente Lula não fazem a mais vaga ideia sobre nada disso. Afinal de contas, entre os hábitos decadentes que o presidente deplora nas elites está o de ler e amar os livros, mas Rushdie permaneceu vivo apesar de seu pão que o aiatolá ameaçou, e está na FLIP deste ano para nos contar isso.
Sexta, em Parati, na mesa 10: vai ser um evento explosivo. Se eu fosse você, não estaria lá. Nunca se sabe aonde a sentença vai chegar, sem trocadilho por favor. Vai ser um Lula que nos acuda.

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Best-seller!

Ah, tudo bem. Sei que essa coisa de ebook ainda está engatinhando, que é tudo esperança e ilusão, etc., etc., mas, vamos combinar: passei à frente de algumas centeninhas de títulos, não é mesmo? E o gostinho da fama... compensa tudo, sabem como é. Mesmo que seja uma faminha digital de terceiro mundo.
E agora chega. Chega de auto-sabotagem, né? Noga Sklar é best-seller na Cultura com seu último livro de crônicas e estamos conversados.
Compra você também, canta pra gente subir, vai!

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